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Plantas tóxicas

As plantas que crescem à nossa volta de uma forma espontânea e as que cultivamos nos nossos jardins são de uma forma geral nossas aliadas, responsáveis por nos criar sensações de bem-estar e harmonia.

JARDIM

No entanto é importante conhecer algumas que poderão ser tóxicas quando ingeridas, manuseadas, respiradas ou fumadas. Começarei por uma família inteira de plantas cuja flor é bastante tóxica, apesar das raízes ou os frutos serem comestíveis e até em alguns casos também as folhas. A essa família bastante presente na nossa alimentação pertencem as batatas, as beringelas, os tomates, as fisális, os pimentos e os piripiris. Se repararem todas as flores destas plantas têm a mesma morfologia, sendo elas o elemento que define uma família de plantas.

plantas_toxicas

Ainda dentro desta família, de porte mais arbustivo e muito comuns como planta ornamental em jardins públicos e privados, têm um longo período de floração mas mais exuberante no verão, são os conhecidos solanus. Portanto, e sem querer ser alarmista, se tiver crianças em casa escolha outro arbusto e não este para colocar no seu jardim. Por exemplo uma árvore de fruto, muito mais útil e igualmente vistosa nas diferentes estações do ano.

Beringela

Beringela

Outra planta, também uma Solanácea, de porte arbustivo, muito bonita e comum em jardins são as trompetes de anjo ou brugmansias , com as suas flores altamente perfumadas que podem ir da cor branca, a várias tonalidades de cor-de-rosa, salmão e a amarelo. Esta planta é usada em rituais xamânicos na América do sul, apenas utilizada pelos xamanes mais experientes pois devido ao alto teor em alcaloides, é bastante alucinogénia. É considerada uma planta sagrada e usada pela indústria farmacêutica no fabrico de medicamentos sobretudo para tratar a doença de Parkinson. Não deve ser autoadministrada. O seu perfume mais intenso ao anoitecer, é uma estratégia para atrair morcegos que são os seus principais polinizadores.

Por vezes é erradamente denominada por estramónio ou datura, outra planta também utilizada pelos xamanes em rituais iniciáticos. O estramónio (Datura stramonium) ou erva-do-diabo, mencionada por Carlos Castanheda, é outra Solanácea muito comum nos nossos campos, cresce espontânea em terrenos incultos. Esta planta era usada no oráculo de Delfos para induzir visões. Muito rica em alcaloides, sobretudo atropina que lhe confere uma ação muito sedativa e antiespasmódica sobre o sistema nervoso central. Em aplicação externa alivia dores reumáticas e nevrálgicas. As partes utilizadas são as sementes que se usam no fabrico de remédios homeopáticos. Não se aconselha a sua ingestão sem o aconselhamento de um profissional, pois as dosagens aqui são cruciais e utilizada erradamente pode trazer alguns problemas como arritmias cardíacas, secura na boca, visão distorcida, etc.

Estramónio

Estramónio

Outra família muito comum entre nós e bastante invasora são as Convolvuláceas, onde se incluem várias espécies de trepadeiras, algumas muito bonitas como é o caso da ipomeia ou glória-da-manhã, de flor azul arroxeada e pólen cor-de-rosa bastante apreciado pelos abelhões, as suas flores abrem de manhã e fecham ao fim do dia, esta é uma das trepadeiras invasores de crescimento mais rápido que conheço. Mais uma vez, flor tóxica mas utilizam-se as sementes para fins terapêuticos e ritualísticos na América do sul e central de onde é originária. As suas flores são ainda utilizadas no fabrico de florais de Bach e em preparados homeopáticos.

Ipomeia

Ipomeia

Já que estamos no verão é importante conhecermos algumas outras plantas que nos possam causar alergias cutâneas ou respiratórias, as mais comuns são a alfavaca-de-cobra ou parietária à qual muita gente é alérgica mas não conhece a planta (ver foto) esta planta cresce um pouco por todo o lado, nas frestas dos muros, em locais sombrios mas também em pleno sol e locais muito secos.

Parietária

Parietária

A arruda muito usada como planta ornamental e para quem é supersticioso, planta-a do lado esquerdo da porta para proteger das bruxas e do mau-olhado. Pode ser um pouco invasora e se a manusearmos sobretudo em dias de sol convém protegermos a pele, pois poderá causar manchas na pele e muita comichão.

Arruda

Arruda

O hipericão (Hypericum perforatum) também é uma planta fotossensível, muito utilizada em infusão ou comprimidos como eficaz antidepressivo, não devemos no entanto depois de a ingerirmos expormo-nos ao sol correndo o risco de ficarmos com manchas vermelhas na pele.

Hipericão

Hipericão

Já o hipericão-do-Gerês (H. androsaenum foto de abertura do artigo) apresenta toxicidade nas suas bagas pratas que não devem ser manuseadas nem ingeridas, podendo causar enjoos e vómitos.

Os Oleandros tão comuns na nossas autoestradas e jardins públicos pela sua resistência à seca e à poluição, (ver artigo de setembro 2010) são arbustos bonitos de densa floração branca ou cor-de-rosa e infelizmente ainda plantados em escolas. As flores e folhas contêm glicósidos cardíacos que se ingeridas podem causar náuseas, vómitos, palpitações, paragens cardíacas, etc.

Para que este artigo não se torne demasiado extenso deixarei aqui uma pequena lista de mais algumas plantas a manusear com cuidado e as restantes continuarei num próximo texto em breve, são elas: jarros, ricinio, dedaleira, rododendros, teixo, delfínios, acónito, lupinios, jacintos, narcisos, tulipas cotoneaster, lobélias, amarílis, heléboro, mirabílis, alestromérias, tabaco, folhas de ruibarbo e aristoláquia.

FERNANDA BOTELHO nasceu em Tojeira/Sintra em agosto de 1959.
Aos 18 anos viaja para Londres onde estuda antroposofia e plantas medicinais e pedagogia Montessori.
Fez o curso de guia de jardim botânico com a Alexandra Escudeiros e gostou tanto que repetiu no ano seguinte.
Apaixonada por jardins botânicos, é frequentadora assídua de Kew gardens. Absorve o que vê, fotografando e escrevendo.
Publica anualmente desde 2010 agendas de plantas medicinais, três livros infantis “Salada de flores” “Sementes à solta” e “Hortas aromáticas”. “As plantas e a saúde, guia de remédios caseiros”. É colaboradora do programa Eco-escolas desenvolvendo projetos de plantas medicinais e hortas sustentáveis nos espaços escolares com professores e alunos.
É convidada regular da RTP 1, organiza passeios botânicos e dá workshops sobre plantas medicinais.
Blogue Malva Silvestre.

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2 Comments

  1. Luisa Mendes 3 de Julho de 2015

    Obrigado Fernanda por mais este excelente trabalho. Muito importante esta distinção entre o que é comestível e o que não se deve usar na alimentação. Ficamos a aguardar mais novidades.

    Responder
  2. maria joão 9 de Julho de 2015

    Olá, Fernanda. Eis aqui mais um artigo “superinteressante”!
    E não é só pelo conteúdo do texto, as fotos estão “supimpas”, como diria o meu avô! A propósito da arruda, há quem diga que tem o poder de espantar as toupeiras. Pelo sim, pelo não tenho uma na minha pequena horta e o que é certo é que já não tenho lá esses bichinhos, desde há dois anos. Há algum fundamento para esta crença?
    Um abraço e até ao próximo artigo, no sítio do costume!

    Responder

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