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Colóquio: «Património Paisagístico: Os caminhos da transversalidade.»

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[i]Fotos: Portal do Jardim[/i]
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Foi com o intuito de desenvolver uma visão transversal, ou transdisciplinar como referiu um dos participantes, que decorreu a 12 de Outubro de 2007 o colóquio “Património Paisagístico: Os caminhos da transversalidade”, organizado pela Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas (APAP).

Os oradores vieram, portanto, de várias áreas da actividade intelectual, política e técnica. Focalizaram questões como a gestão de actividades agrárias em espaços urbanos ou em contextos das paisagens culturais; as diferenças de atitude perante o património cultural e o património paisagístico; gestão e conservação de jardins históricos, entre outros.

Gonçalo Ribeiro Telles, personalidade de indiscutível relevância na área da arquitectura paisagística, em entrevista ao Portal do Jardim, dizia que estamos rodeados de micro-jardins, aqueles das nossas casas, praças, parques urbanos, mas estamos, do ponto de vista global, inseridos num macro-jardim, que é o planeta.
Para todos aqueles que se interessam e preocupam com os espaços verdes, seus ou públicos, existe também a necessidade que se estenda este interesse e preocupação para uma visão mais global, mais holística, do tal macro-jardim e da sua organização, ordenamento e conservação.

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A França, não obstante o crescimento das suas áreas urbanas, tem hoje mais área de floresta (não culturas de eucalipto ou pinheiro) do que tinha na Idade Média. Pelo contrário, em Portugal, o actual plano nacional para o ordenamento do território (PNPOT) contempla, precisamente, a preservação de pinhais e eucaliptais, uma estratégia considerada incorrecta por Manuela Raposo Magalhães, professora auxiliar do ISA/UTL. O caso francês é a prova viva de que é possível conservar e melhorar o património paisagístico, que favorece a qualidade de vida dos habitantes e a biodiversidade. Tal como o representante da Ministra da Cultura lembrou aos participantes, «o bem-estar não é só material». Existem inúmeros elementos, a paisagem por exemplo, que influem na qualidade de vida e que são dificilmente quantificáveis.

Foi também apontada por Manuela Raposo Magalhães a importância dos corredores verdes urbanos, elementos fundamentais no melhoramento da qualidade do ar e na circulação de ar. Como exemplo do resultado de mau planeamento da circulação de ar nas cidades, mostrou-se o vale de Benfica, em Lisboa. Por não haver um corredor verde para escoar o ar frio matinal, este acumula-se fazendo com que a população se exponha desnecessariamente ao frio intenso e à humidade, que de outro modo seriam minimizados.

Debate

Debate

Ficou bem patente que o património natural é algo em permanente movimento e que apenas se aparenta estático pelo exagerado ritmo de acção humana à sua volta. Como algo vivo e como valor da mais alta importância para a qualidade de vida (20% do território português está classificado e 7% é composto por áreas protegidas), o património paisagístico requer um interesse de todos. Da acção conjunta e directa das entidades de protecção ambiental, das populações (como demonstrado no caso do Parque Natural Sintra-Cascais), da responsabilidade social das empresas e das entidades municipais resulta uma muito mais eficiente e eficaz forma de preservar os espaços naturais, a paisagem comum a todos.

 

Aliás, voltando a Ribeiro Telles, quando antes era o espaço rural o “contínuo”, interrompido pelo “descontínuo” urbano das aldeias e vilas, hoje nas áreas metropolitanas, no Algarve e no Litoral a situação é inversa. O “contínuo” passou a ser o artificial urbano e interrompido pelo “descontínuo” rural. Desta situação aparecem novos desafios que requerem estudos transdisciplinares e acção directa, nomeadamente, pelos próprios cidadãos, como foi repetido por vários oradores.

Quanto a diferenças na atitude perante património cultural e paisagístico, Pedro Castro Henriques, assessor principal do ICNB, afirmou que ninguém considera deitar abaixo o Mosteiro dos Jerónimos ou o Convento de Cristo, ambos considerados património cultural. Porém, quando se fala de explorações industriais em zonas classificadas ou protegidas, como a Serra da Arrábida, património natural e paisagístico, a atitude já não é, claramente, a mesma. Como afirmou Andreia Galvão: «(…) o património cultural deve ser entendido como expressão das relações do Homem com a sua envolvente natural, social e espiritual.»

Serviu este colóquio para por em evidência alguns elementos contraditórios na sociedade, mas manteve-se sempre a tónica no facto de que, por acção conjunta e concertada – transversal – será possível conservar e melhorar o nosso património paisagístico de modo a que as gerações futuras possam desfrutar de uma maior e mais entrosada relação com a Natureza.

Site APAP: www.apap.pt

Outros destaques do Colóquio:

[b]Lançamento do DVD “Os Campos de Deméter”.[/b] Produzido no âmbito do projecto «Our Common European Cultural Landscape Heritage» serve para evidenciar a importância universal das Paisagens Culturais Europeias. O filme encoraja os jovens da Europa a agir para conservar esta herança cultural e natural.

Mais informações: www.fieldsofdemeter.org

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