{"id":20498,"date":"2018-11-26T17:28:54","date_gmt":"2018-11-26T16:28:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/?p=20498"},"modified":"2018-11-26T17:31:01","modified_gmt":"2018-11-26T16:31:01","slug":"plantas-carnivoras-heliamphoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/2018\/11\/26\/plantas-carnivoras-heliamphoras\/","title":{"rendered":"Plantas Carn\u00edvoras: Heliamphoras"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Originarias de planaltos isolados do continente sul americano as Heliamphoras s\u00e3o plantas carn\u00edvoras que devido \u00e0 sua localiza\u00e7\u00e3o muito particular se mantiveram longe do alcance dos investigadores durante muito tempo. A primeira esp\u00e9cie foi descoberta apenas no s\u00e9culo XIX, e foi necess\u00e1rio decorrer quase mais um s\u00e9culo at\u00e9 outras esp\u00e9cies serem encontradas.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1150.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20499\" src=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1150.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1150.jpg 800w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1150-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1150-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a>Estes planaltos elevados encontram-se a uma altitude que os coloca muitas vezes no meio das nuvens, e por isso s\u00e3o fustigados com ventos fortes e uma elevada precipita\u00e7\u00e3o que ao longo de mil\u00e9nios lavou todo e qualquer solo que pudesse por l\u00e1 ter existido, este tipo de condi\u00e7\u00f5es acabam por ser propicias \u00e0 exist\u00eancia de plantas carn\u00edvoras, pois estas possuem uma vantagem competitiva em rela\u00e7\u00e3o a outras plantas ao obterem os minerais que necessitam atrav\u00e9s dos insetos que capturam.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1137.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20503\" src=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1137.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1137.jpg 800w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1137-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1137-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a>As armadilhas do g\u00e9nero Heliamphora s\u00e3o enganadoramente simples para uma observa\u00e7\u00e3o menos atenta, parecendo que s\u00e3o simplesmente uma folha enrolada presa pelas extremidades formando um tubo, mas subtilezas escondem-se por debaixo desta aparente simplicidade, os tubos est\u00e3o abertos e recebem a \u00e1gua da chuva, mas para manter o n\u00edvel de \u00e1gua constante os tubos possuem um pequeno furo ou rasgo, dependendo da esp\u00e9cie, que permite que a \u00e1gua em excesso escorra para fora do tubo, mas sendo um furo muito pequeno n\u00e3o permite que as presas saiam juntamente com a \u00e1gua.<br \/>\nDiretamente por cima da abertura do tubo existe uma pequena protuber\u00e2ncia que possui na sua face inferior uma grande quantidade de gl\u00e2ndulas de n\u00e9ctar, o objetivo desta estrutura \u00e9 atrair insetos atrav\u00e9s da sua colora\u00e7\u00e3o e do n\u00e9ctar produzido. Ao estar localizada diretamente sobre a abertura do tubo torna-se uma armadilha mortal para os insetos que nela poisam em busca do apetecido n\u00e9ctar, qualquer erro por parte deles e caem diretamente dentro do tubo, este por sua vez possui na sua parte superior uma quantidade imensa de pequenos pelos virados para baixo que impedem que os insetos que caiam se possam agarrar e subir para a liberdade, passando esta zona segue-se outra completamente lisa que impede que os insetos consigam ganhar apoio.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1148.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20505\" src=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1148.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"624\" srcset=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1148.jpg 800w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1148-300x234.jpg 300w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1148-768x599.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a>As indefesas vitimas terminam afogadas na \u00e1gua que se encontra na parte inferior do tubo. Ao contr\u00e1rio de muitas outras carn\u00edvoras que ativamente produzem enzimas que digerem os insetos as Heliamphoras contam com a ajuda de bact\u00e9rias que decomp\u00f5em os insetos o que permite que posteriormente as plantas absorvam os subprodutos da sua a\u00e7\u00e3o. Muitas vezes tamb\u00e9m s\u00e3o encontrados alguns organismos maiores que aproveitam a \u00e1gua dentro dos tubos para viver, no caso de larvas de mosquitos, ou como prote\u00e7\u00e3o e local de ca\u00e7a, no caso de alguns sapos, em qualquer uma destas situa\u00e7\u00f5es as plantas beneficiam dos dejetos destes animais como forma de obterem os minerais que necessitam.<br \/>\nO aspeto dos tubos das Heliamphoras descrito em cima \u00e9 o aspeto dos tubos adultos na maioria das esp\u00e9cies, no entanto, nos primeiros 2 a 4 anos de vida destas plantas os tubos formados s\u00e3o mais pequenos e simples, sem a protuber\u00e2ncia produtora de n\u00e9ctar por cima dos tubos, esses s\u00e3o denominados por armadilhas juvenis, e s\u00e3o praticamente id\u00eanticas entre todas as esp\u00e9cies de Heliamphoras, as diferen\u00e7as entre as esp\u00e9cies s\u00f3 se tornam mais evidentes nas armadilhas adultas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1140.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20504\" src=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1140.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1140.jpg 800w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1140-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/DSCF1140-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a>Outra particularidade das Heliamphoras s\u00e3o as suas flores, est\u00e3o adaptadas para favorecer a poliniza\u00e7\u00e3o cruzada em detrimento da auto poliniza\u00e7\u00e3o, o p\u00f3len fica pronto antes da parte feminina da flor estar recetiva, a forma de liberta\u00e7\u00e3o do p\u00f3len tamb\u00e9m \u00e9 muito interessante, encontra-se encerrado dentro das anteras e apenas pode sair por um pequeno orif\u00edcio, para haver liberta\u00e7\u00e3o do p\u00f3len as anteras t\u00eam de ser submetidas a uma vibra\u00e7\u00e3o de frequ\u00eancia correta, vibra\u00e7\u00e3o essa produzida pelos insetos polinizadores ao baterem as suas asas.<br \/>\nEstas plantas n\u00e3o s\u00e3o encontradas facilmente no comercio, e quando est\u00e3o dispon\u00edveis est\u00e3o ainda no seu estado juvenil, demorando alguns anos a apresentarem a sua beleza no seu total esplendor.<br \/>\nAs Heliamphoras apreciam um solo que retenha muita humidade mas bem arejado e solto, uma mistura que funciona bem \u00e9 uma parte de turfa sem fertilizantes para duas partes de perlite.<br \/>\nO solo deve ser mantido constantemente h\u00famido, podendo ser utilizado o m\u00e9todo do prato com \u00e1gua por baixo do vaso, a \u00e1gua utilizada deve ser, como em todas as carn\u00edvoras \u00e1gua destilada, da chuva ou de osmose.<br \/>\nAs Heliamphoras n\u00e3o s\u00e3o plantas ideais para quem esteja a come\u00e7ar com plantas carn\u00edvoras, n\u00e3o est\u00e3o adaptadas ao nosso clima sendo por isso quase imposs\u00edvel mant\u00ea-las ao ar livre, exceto em casos muito espec\u00edficos como \u00e9 o caso das ilhas ou alguns locais mais h\u00famidos e de temperaturas mais amenas, por isso necessitam de condi\u00e7\u00f5es artificiais que devem ser proporcionadas em estufas ou terr\u00e1rios.<br \/>\nEntre essas condi\u00e7\u00f5es temos a temperatura, este g\u00e9nero aprecia uma diferen\u00e7a entre a temperatura noturna e diurna, este \u00e9 um requisito comum em plantas origin\u00e1rias de locais de altitudes elevadas, de noite uma temperatura entre os 7 \u00baC e os 16 \u00baC , de dia entre os 16 \u00baC e os 27 \u00baC, sendo de evitar valores acima dos 30 \u00baC, estes valores para as temperaturas noturnas e diurnas devem ser mantidos a longo de todo o ano.<br \/>\nProvavelmente a maior dificuldade encontrada no cultivo das Heliamphoras \u00e9 a sua manuten\u00e7\u00e3o durante o nosso ver\u00e3o devido \u00e1s temperaturas altas durante o dia e noite, como as esp\u00e9cies mais tolerantes ao calor s\u00e3o as H. heterodoxa e a H. minor s\u00e3o estas as esp\u00e9cies ideais para quem se inicia no g\u00e9nero Heliamphora.<br \/>\nOutro requisito que deve ser respeitado \u00e9 a necessidade de valores elevados de humidade atmosf\u00e9rica, dai que as estufas ou os terr\u00e1rios sejam essenciais, as Heliamphoras s\u00e3o das plantas que beneficiam da presen\u00e7a de musgo esfagno vivo a cobrir o solo no vaso, porque o musgo vai ajudar no aumento da humidade local e atrav\u00e9s da evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua produz um efeito refrescante para o solo e as plantas.<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e1 luz, sendo que na maioria das esp\u00e9cies o seu habitat \u00e9 desprovido de \u00e1rvores ou plantas de grandes dimens\u00f5es est\u00e3o habituadas a receber grandes quantidades de luz, o que no caso de estarem em terr\u00e1rios obriga a uma utiliza\u00e7\u00e3o de ilumina\u00e7\u00e3o artificial potente. Em estufas o sol direto \u00e9 desej\u00e1vel mas deve ser equilibrado com a temperatura excessiva que as estufas podem atingir quando a exposi\u00e7\u00e3o ao sol \u00e9 muito elevada.<br \/>\nAs Heliamphoras podem ser alimentadas com insetos de tamanho adequado ao di\u00e2metro das armadilhas, principalmente se estiverem dentro de terr\u00e1rios o que diminui grandemente as suas hip\u00f3teses de capturarem presas por si s\u00f3.<br \/>\nO m\u00e9todo de multiplica\u00e7\u00e3o mais usado \u00e9 o da divis\u00e3o, naturalmente as plantas formam aglomerados que podem ser facilmente divididos, as melhores \u00e9pocas do ano para executar esta tarefa deve ser a primavera ou o outono devido \u00e1s temperaturas mais amenas que ajudam na recupera\u00e7\u00e3o das plantas. Esta divis\u00e3o pode ocorrer quando se nota que a planta apresenta dois ou mais pontos de crescimento distintos, processa-se retirando a planta do solo e cuidadosamente separando esses pontos de crescimento individuais tendo o cuidado de a separa\u00e7\u00e3o garantir que cada um deles possui algumas ra\u00edzes.<\/p>\n<p>Paulo Louren\u00e7o \/ <a href=\"mailto:cp_produtos@yahoo.com\">cp_produtos@yahoo.com \/\u00a0<\/a>\u00a0\/ <a href=\"http:\/\/www.carnivoras.org\">www.carnivoras.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Originarias de planaltos isolados do continente sul americano as Heliamphoras s\u00e3o plantas carn\u00edvoras que devido \u00e0 sua localiza\u00e7\u00e3o muito particular se mantiveram longe do alcance dos investigadores durante muito tempo. A primeira esp\u00e9cie foi descoberta apenas no s\u00e9culo XIX, e foi necess\u00e1rio decorrer quase mais um s\u00e9culo at\u00e9 outras esp\u00e9cies serem encontradas. 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