{"id":20525,"date":"2018-12-05T10:50:27","date_gmt":"2018-12-05T09:50:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/?p=20525"},"modified":"2018-12-05T10:50:27","modified_gmt":"2018-12-05T09:50:27","slug":"perto-de-380-plantas-ameacadas-e-24-extintas-em-portugal-continental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/2018\/12\/05\/perto-de-380-plantas-ameacadas-e-24-extintas-em-portugal-continental\/","title":{"rendered":"Perto de 380 plantas amea\u00e7adas e 24 extintas em Portugal continental"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Os resultados da avalia\u00e7\u00e3o preliminar do risco de extin\u00e7\u00e3o de cerca de 630 plantas nativas da nossa flora, realizada no \u00e2mbito do <a href=\"http:\/\/listavermelha-flora.pt\/\">Projecto Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental,<\/a> coordenado pela Sociedade Portuguesa de Bot\u00e2nica e pela Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Ci\u00eancia da Vegeta\u00e7\u00e3o, revelam que perto de 380 plantas se encontram atualmente amea\u00e7adas e 24 plantas estar\u00e3o j\u00e1 extintas em Portugal continental.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Plantas-amea\u00e7adas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20519\" src=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Plantas-amea\u00e7adas.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"255\" srcset=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Plantas-amea\u00e7adas.jpg 800w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Plantas-amea\u00e7adas-300x96.jpg 300w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Plantas-amea\u00e7adas-768x245.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a>O processo de avalia\u00e7\u00e3o do risco de extin\u00e7\u00e3o das plantas foi efetuado de acordo com os crit\u00e9rios e as categorias da Lista Vermelha das Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas da UICN, Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, que contempla 11 categorias de risco, entre as quais tr\u00eas categorias de amea\u00e7a &#8211; Vulner\u00e1vel (VU), Em Perigo (EN) e Criticamente Em Perigo (CR) &#8211; num grau crescente de risco de extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. Das 381 plantas que foram classificadas numa categoria de amea\u00e7a, 87 est\u00e3o Criticamente Em Perigo (estando 14 delas sinalizadas como potencialmente extintas em Portugal continental), 142 encontram-se Em Perigo e 157 est\u00e3o na categoria Vulner\u00e1vel. Assinalam-se ainda 81 plantas Quase Amea\u00e7adas (NT), estando pr\u00f3ximas de poder enquadrar-se numa categoria de amea\u00e7a a curto ou m\u00e9dio prazo.<br \/>\nDe entre as 87 plantas em risco de extin\u00e7\u00e3o extremamente elevado (CR) destaca-se, por exemplo, Onosma tricerosperma subsp. tricerosperma, uma planta que existe exclusivamente na regi\u00e3o sul da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e que s\u00f3 recentemente foi descoberta em Portugal, na regi\u00e3o de Beja, onde ocorre num habitat muito espec\u00edfico, associado a solos de gabro, uma rocha bastante rara no pa\u00eds. Existe apenas um \u00fanico n\u00facleo populacional desta planta em Portugal que cont\u00e9m somente 20 indiv\u00edduos e que se encontra sujeito a amea\u00e7as relacionadas com a atividade agr\u00edcola. O segundo n\u00facleo conhecido foi destru\u00eddo recentemente devido \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de um pomar, que provocou a destrui\u00e7\u00e3o de uma grande \u00e1rea de habitat favor\u00e1vel \u00e0 planta.<br \/>\nA expans\u00e3o e intensifica\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e9 efetivamente uma das amea\u00e7as mais graves que recaem sobre a flora do nosso pa\u00eds, afetando quase um ter\u00e7o das plantas avaliadas no projeto. Esta amea\u00e7a assola sobretudo a flora arvense de sequeiro do Baixo Alentejo, onde os olivais tradicionais e outras culturas extensivas de sequeiro &#8211; habitat exclusivo de muitas plantas &#8211; est\u00e3o a ser substitu\u00eddos por culturas intensivas de regadio, a flora do litoral sudoeste onde prolifera a instala\u00e7\u00e3o de estufas, e a flora do oeste estremenho e do Algarve, onde tem aumentado o n\u00famero de pomares em larga escala.<br \/>\nAs profundas altera\u00e7\u00f5es no uso do solo que se verificaram ao longo do s\u00e9culo XX associadas \u00e0 expans\u00e3o urban\u00edstica das principais cidades e \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o agr\u00edcola poder\u00e3o ter estado ali\u00e1s na origem da extin\u00e7\u00e3o de grande parte das 24 esp\u00e9cies avaliadas como extintas no projeto. \u00c9 o caso das duas plantas end\u00e9micas de Portugal com distribui\u00e7\u00e3o restrita ao Baixo Alentejo &#8211; Armeria neglecta e Armeria arcuata &#8211; que foram classificadas como Extintas a n\u00edvel global (EX), e de algumas das restantes 22 plantas avaliadas como Regionalmente Extintas (RE), que se encontram extintas em Portugal continental apesar de ainda sobreviverem noutras partes do mundo, como por exemplo Ononis hirta, que existiu nos arredores de Lisboa at\u00e9 1946. Muitas delas eram plantas aqu\u00e1ticas ou que ocorriam exclusivamente associadas a zonas h\u00famidas, tendo desaparecido do nosso territ\u00f3rio provavelmente devido a press\u00f5es como a polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, a drenagem, e a invas\u00e3o por esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, como \u00e9 o caso de Epipactis palustris, uma orqu\u00eddea que outrora habitava prados h\u00famidos nas regi\u00f5es do Douro e Beira Litoral.<br \/>\nAl\u00e9m destas, plantas como Avellara fistulosa e Reseda alba subsp. alba foram sinalizadas como potencialmente extintas em Portugal continental, uma vez que, apesar da prospe\u00e7\u00e3o dirigida de que foram alvo no \u00e2mbito do projeto, n\u00e3o foram encontradas nos seus locais de ocorr\u00eancia hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Mas nem tudo s\u00e3o m\u00e1s novidades. No \u00e2mbito dos trabalhos de campo realizados no segundo ano do projeto foram tamb\u00e9m descobertas tr\u00eas esp\u00e9cies novas para a flora de Portugal e algumas popula\u00e7\u00f5es numerosas de plantas que se julgavam muito raras ou mesmo extintas no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental<\/strong><br \/>\nO projeto &#8216;Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental&#8217; come\u00e7ou em outubro de 2016 sob a coordena\u00e7\u00e3o da Sociedade Portuguesa de Bot\u00e2nica (SPBot\u00e2nica) e da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Ci\u00eancia da Vegeta\u00e7\u00e3o (PHYTOS) em parceria com o Instituto da Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e das Florestas (ICNF), e decorrer\u00e1 at\u00e9 junho de 2019, em resultado do prolongamento da sua data de conclus\u00e3o, inicialmente prevista para setembro de 2018.<br \/>\nSalienta-se que a avalia\u00e7\u00e3o de cerca de 630 plantas no per\u00edodo de tempo t\u00e3o limitado deste projeto s\u00f3 foi poss\u00edvel devido ao empenho da comunidade bot\u00e2nica portuguesa, com contribui\u00e7\u00f5es de mais de 90 colaboradores envolvidos em diversas tarefas, desde a recolha de informa\u00e7\u00e3o sobre as plantas no campo e em Herb\u00e1rios at\u00e9 \u00e0 revis\u00e3o das avalia\u00e7\u00f5es produzidas. As fichas de avalia\u00e7\u00e3o das plantas encontram-se neste momento em fase de revis\u00e3o, prevendo-se que estejam conclu\u00eddas durante o primeiro trimestre de 2019.<br \/>\nO projeto culminar\u00e1 na publica\u00e7\u00e3o, em livro e suporte digital, da Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental, o documento de refer\u00eancia aguardado h\u00e1 mais de 20 anos que ajudar\u00e1 a definir as prioridades de conserva\u00e7\u00e3o e que servir\u00e1 de suporte \u00e0s decis\u00f5es pol\u00edticas no \u00e2mbito da gest\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade da flora em Portugal. A confer\u00eancia para a apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos resultados finais do projeto ir\u00e1 decorrer no dia 21 de maio de 2019, na Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, em Lisboa.<br \/>\nEste projeto \u00e9 cofinanciado pelo Fundo de Coes\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia atrav\u00e9s do Programa Operacional Sustentabilidade e Efici\u00eancia no Uso de Recursos (POSEUR-03-2215-FC-000013), pelo Fundo Ambiental e por fundos angariados pela Sociedade Portuguesa de Bot\u00e2nica, entidade benefici\u00e1ria e respons\u00e1vel pela execu\u00e7\u00e3o do projeto.<br \/>\nO acompanhamento do projeto poder\u00e1 ser feito atrav\u00e9s do portal <a href=\"http:\/\/listavermelha-flora.pt\/\">http:\/\/listavermelha-flora.pt\/<\/a> e da p\u00e1gina de Facebook <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ListaVermelhaFloraPT\/\">https:\/\/www.facebook.com\/ListaVermelhaFloraPT\/<\/a>.<br \/>\n<em>Fonte: Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os resultados da avalia\u00e7\u00e3o preliminar do risco de extin\u00e7\u00e3o de cerca de 630 plantas nativas da nossa flora, realizada no \u00e2mbito do Projecto Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental, coordenado pela Sociedade Portuguesa de Bot\u00e2nica e pela Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Ci\u00eancia da Vegeta\u00e7\u00e3o, revelam que perto de 380 plantas se encontram atualmente amea\u00e7adas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1872,"featured_media":20520,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,26],"tags":[2661],"class_list":["post-20525","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-iniciativas","tag-lista-vermelha-da-flora-vascular-de-portugal-continental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20525","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1872"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20525"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20525\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20526,"href":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20525\/revisions\/20526"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20520"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}