{"id":22540,"date":"2020-03-19T16:45:19","date_gmt":"2020-03-19T15:45:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/?p=22540"},"modified":"2020-03-19T16:45:19","modified_gmt":"2020-03-19T15:45:19","slug":"utilizar-os-residuos-da-madeira-do-eucalipto-para-o-tratamento-de-aguas-residuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/2020\/03\/19\/utilizar-os-residuos-da-madeira-do-eucalipto-para-o-tratamento-de-aguas-residuais\/","title":{"rendered":"Utilizar os res\u00edduos da madeira do eucalipto para o tratamento de \u00e1guas residuais"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Pela primeira vez, uma equipa de investigadores da Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu floculantes naturais a partir de res\u00edduos da madeira de eucalipto para tratamento de \u00e1guas residuais.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A flocula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma etapa essencial no tratamento tradicional de efluentes, muito utilizada nas esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1guas residuais municipais ou industriais (ETARs), e consiste na agrega\u00e7\u00e3o de pequenas part\u00edculas, formando flocos (aglomerados de part\u00edculas) que permitem depois a remo\u00e7\u00e3o de contaminantes. No entanto, atualmente, os materiais utilizados para promover a flocula\u00e7\u00e3o, os designados floculantes, s\u00e3o de origem f\u00f3ssil (petrol\u00edfera), os mais comuns \u00e0 base de poliacrilamidas.<br \/>\nAl\u00e9m de n\u00e3o serem biodegrad\u00e1veis, os floculantes tradicionais apresentam v\u00e1rias desvantagens, tornando premente a procura de abordagens ecol\u00f3gicas para o desenvolvimento de novos floculantes existentes na natureza, sobretudo com base em subprodutos naturais.<br \/>\nConsiderando a quantidade de res\u00edduos de eucalipto que \u00e9 produzida anualmente, em resultado da atividade da ind\u00fastria da pasta do papel no nosso pa\u00eds, a equipa liderada por Gra\u00e7a Rasteiro, do Departamento de Engenharia Qu\u00edmica da FCTUC, decidiu apostar neste subproduto.<br \/>\nA investiga\u00e7\u00e3o foi realizada no \u00e2mbito do projeto europeu ECOFLOC, na tipologia de doutoramento em ambiente empresarial europeu (Marie Curie &#8211; People), e envolveu tamb\u00e9m a Universidade de Leeds (Reino Unido) e uma empresa su\u00ed\u00e7a especializada em reciclagem e tratamento de \u00e1guas residuais.<br \/>\nA partir da transforma\u00e7\u00e3o de materiais extra\u00eddos dos res\u00edduos de eucalipto, os investigadores desenvolveram um conjunto de \u201ceco-floculantes\u201d de base celul\u00f3sica com diferentes caracter\u00edsticas que se ajustassem a diferentes aplica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_22526\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Gra\u00e7a-Rasteiro-e-Jos\u00e9-Gamelas-.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-22526\" class=\"size-full wp-image-22526\" src=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Gra\u00e7a-Rasteiro-e-Jos\u00e9-Gamelas-.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"364\" srcset=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Gra\u00e7a-Rasteiro-e-Jos\u00e9-Gamelas-.jpg 800w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Gra\u00e7a-Rasteiro-e-Jos\u00e9-Gamelas--300x137.jpg 300w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Gra\u00e7a-Rasteiro-e-Jos\u00e9-Gamelas--768x349.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-22526\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Gra\u00e7a Rasteiro e Jos\u00e9 Gamelas<\/strong><\/p><\/div>\n<p>\u00ab<em>A nossa abordagem ecofriendly consistiu em purificar e modificar estes res\u00edduos lenhocelul\u00f3sicos para produzir polieletr\u00f3litos (pol\u00edmeros com carga) de base natural que promovessem a flocula\u00e7\u00e3o. Foi um processo complexo, desde logo porque a celulose n\u00e3o \u00e9 sol\u00favel, o que \u00e9 um grande obst\u00e1culo, porque os polieletr\u00f3litos t\u00eam de ser sol\u00faveis para atuarem como floculantes. Portanto, tivemos de efetuar extra\u00e7\u00f5es da mat\u00e9ria-prima inicial que otimiz\u00e1mos para serem o mais brandas poss\u00edvel e v\u00e1rias modifica\u00e7\u00f5es para que o produto final fosse sol\u00favel<\/em>\u00bb, explica Gra\u00e7a Rasteiro.<br \/>\nSuperado este primeiro desafio, a equipa, que teve tamb\u00e9m como investigador Jos\u00e9 Gamelas, do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Engenharia dos Processos Qu\u00edmicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF), desenvolveu uma gama alargada de floculantes naturais, biodegrad\u00e1veis, apropriados para diferentes aplica\u00e7\u00f5es para al\u00e9m do tratamento de efluentes (o foco deste projeto), como, por exemplo, na ind\u00fastria de cosm\u00e9tica ou alimentar. Os produtos obtidos foram extensivamente caracterizados quanto \u00e0 sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, estrutura e morfologia.<br \/>\nDe seguida, os \u201ceco-floculantes\u201d foram testados com sucesso, primeiro em efluentes modelo e posteriormente em efluentes reais fornecidos por uma ind\u00fastria t\u00eaxtil (Ros\u00e1rios 4) de Mira de Aire. \u00ab<em>Tal como pretendido, permitiram aumentar a remo\u00e7\u00e3o de cor e da turbidez. Comparando com o uso de poliacrilamidas comerciais, os desempenhos obtidos usando os floculantes de base natural foram t\u00e3o bons ou melhores que os tradicionais. Al\u00e9m disso, conseguimos diminuir at\u00e9 80% a car\u00eancia qu\u00edmica de oxig\u00e9nio dos efluentes. Este resultado representa um grande avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o aos floculantes tradicionais (de origem f\u00f3ssil). Realiz\u00e1mos tamb\u00e9m testes em efluentes oleosos, provenientes de lagares de azeite, e os primeiros resultados s\u00e3o promissores. De salientar que ambos os efluentes (corantes e oleosos) s\u00e3o muito dif\u00edceis de tratar<\/em>\u00bb, descreve a coordenadora do projecto.<br \/>\nA car\u00eancia qu\u00edmica de oxig\u00e9nio \u00e9 um par\u00e2metro que permite avaliar se o efluente tratado re\u00fane as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para ser reutilizado ou escoado para meios aqu\u00e1ticos.<br \/>\nPerante os bons resultados obtidos com os res\u00edduos da madeira do eucalipto, os investigadores decidiram estender a investiga\u00e7\u00e3o a madeira de esp\u00e9cies invasoras, designadamente a madeira de ac\u00e1cia-mimosa, no \u00e2mbito de um outro projeto, intitulado MATIS. Os floculantes desenvolvidos est\u00e3o no momento a ser testados.<br \/>\nApesar de ainda n\u00e3o ter realizado um estudo econ\u00f3mico, a docente e investigadora da FCTUC acredita que os resultados deste projeto \u00abpodem ter impactos muito positivos, j\u00e1 que \u00e9 uma abordagem ecol\u00f3gica n\u00e3o s\u00f3 para tratamento de efluentes, como tamb\u00e9m para aplica\u00e7\u00e3o em diferentes setores de atividade. Estes floculantes baseados em celulose mostraram ser alternativas muito promissoras aos tradicionais agentes de base petrol\u00edfera\u00bb. Se a ind\u00fastria assim o desejar, os \u201ceco-floculantes\u201d poder\u00e3o entrar no mercado num per\u00edodo relativamente curto depois de passarem por testes \u00e0 escala piloto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, uma equipa de investigadores da Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu floculantes naturais a partir de res\u00edduos da madeira de eucalipto para tratamento de \u00e1guas residuais. 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