{"id":24712,"date":"2022-10-04T09:37:47","date_gmt":"2022-10-04T08:37:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/?p=24712"},"modified":"2022-10-04T09:38:29","modified_gmt":"2022-10-04T08:38:29","slug":"estudo-indica-que-espacos-verdes-em-zonas-carenciadas-do-porto-sao-menos-diversificados-e-pouco-frequentados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/2022\/10\/04\/estudo-indica-que-espacos-verdes-em-zonas-carenciadas-do-porto-sao-menos-diversificados-e-pouco-frequentados\/","title":{"rendered":"Estudo indica que espa\u00e7os verdes em zonas carenciadas do Porto s\u00e3o menos diversificados e pouco frequentados"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Um estudo realizado na cidade do Porto demonstrou que os espa\u00e7os verdes localizados em zonas de maior priva\u00e7\u00e3o socioecon\u00f3mica e ambiental s\u00e3o menos diversificados e menos frequentados pelos cidad\u00e3os. Os resultados podem contribuir para um melhor planeamento urbano, adequado \u00e0s necessidades dos utilizadores.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Este estudo, designado \u201cPadr\u00f5es de comportamento humano em espa\u00e7os verdes urbanos p\u00fablicos: sobre a influ\u00eancia dos perfis dos utilizadores, ambiente circundante e design do espa\u00e7o\u201d, e publicado na revista \u201cUrban Forestry &amp; Urban Greening\u201d, foi desenvolvido por Diogo Guedes Vidal, investigador do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), centro coordenado pela catedr\u00e1tica Helena Freitas.<\/p>\n<p>Tendo em conta a falta de informa\u00e7\u00e3o sobre os comportamentos dos utilizadores nos espa\u00e7os verdes do Porto, o trabalho \u2013 desenvolvido no \u00e2mbito da tese de doutoramento em ecologia e sa\u00fade ambiental do investigador, realizada na Universidade Fernando Pessoa (Porto) \u2013 visou identificar padr\u00f5es de comportamento humano em quatro espa\u00e7os verdes da cidade, \u00abconsiderando o perfil dos utilizadores, a envolvente socioecon\u00f3mica, o desenho e elementos humanos e n\u00e3o humanos presentes no espa\u00e7o\u00bb, procurando perceber se os \u00abusos inscritos nos espa\u00e7os verdes est\u00e3o, de alguma forma, associados ao n\u00edvel de priva\u00e7\u00e3o socioecon\u00f3mica da envolvente, se existem varia\u00e7\u00f5es nos usos identificados ao longo do dia e como as diferentes caracter\u00edsticas dos espa\u00e7os verdes influenciam os comportamentos dos seus utilizadores\u00bb.<\/p>\n<div id=\"attachment_24714\" style=\"width: 234px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Diogo-Guedes-Vidal_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-24714\" class=\"size-medium wp-image-24714\" src=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Diogo-Guedes-Vidal_1-224x300.jpg\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Diogo-Guedes-Vidal_1-224x300.jpg 224w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Diogo-Guedes-Vidal_1.jpg 599w\" sizes=\"auto, (max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-24714\" class=\"wp-caption-text\">Diogo Guedes Vidal<\/p><\/div>\n<p>Para tal, durante quatro meses, de agosto a novembro, foram mapeados os usos de 979 utilizadores e espacializados os seus comportamentos, quer em diferentes lugares dos espa\u00e7os verdes em estudo, quer em diferentes momentos do dia, em tr\u00eas jardins p\u00fablicos (Jardim da Corujeira, Jardim de Arca d\u2019\u00c1gua e Jardim Jo\u00e3o Chagas, este \u00faltimo vulgarmente conhecido como Jardim da Cordoaria) e uma pra\u00e7a ajardinada (Pra\u00e7a Mouzinho de Albuquerque, comummente conhecida como Rotunda da Boavista).<\/p>\n<p>De uma forma geral, os resultados obtidos no estudo, que foi financiado pela Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e a Tecnologia (FCT), mostram que espa\u00e7os verdes de reduzida dimens\u00e3o e proximidade s\u00e3o entendidos como espa\u00e7os de socializa\u00e7\u00e3o, conv\u00edvio, relaxamento e contacto com a natureza, sendo explorados durante o dia atrav\u00e9s de diferentes usos.<\/p>\n<p>No entanto, observou-se que nos espa\u00e7os verdes localizados em zonas de maior priva\u00e7\u00e3o socioecon\u00f3mica e ambiental, os usos \u00ab<em>s\u00e3o menos diversificados, dada a aus\u00eancia de elementos que os estimulem, e assiste-se a uma menor frequ\u00eancia de utilizadores<\/em>\u00bb, afirma <strong>Diogo Guedes Vidal<\/strong>. Foram igualmente identificados outros usos atrav\u00e9s dos elementos presentes nos espa\u00e7os verdes estudados, que se associam tamb\u00e9m a novas fun\u00e7\u00f5es sociais destes espa\u00e7os: \u00ab<em>a pra\u00e7a Mouzinho de Albuquerque e o jardim de Arca d\u2019\u00c1gua s\u00e3o utilizados para fins de atividades de a\u00e7\u00e3o social voltadas para apoio a sem-abrigo, seja na distribui\u00e7\u00e3o de alimentos, no caso do primeiro, seja no abrigo noturno (no coreto), no caso do segundo<\/em>\u00bb, acrescenta.<\/p>\n<p>Assim, conclui-se que os espa\u00e7os verdes conferem novos sentidos e significados, \u00ab<em>n\u00e3o se esgotando nas fun\u00e7\u00f5es para que foram inicialmente idealizados. Por outro lado, \u00e9 nas zonas mais a sul (mais quentes) e junto de \u00e1rvores (fa\u00e7a sol ou n\u00e3o) que os utilizadores se tendem a concentrar, procurando nos elementos arb\u00f3reos uma sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e de identidade, pr\u00f3pria de um contacto com a natureza, sugerindo um comportamento biof\u00edlico (amor pelos elementos vivos)<\/em>\u00bb, salienta o investigador do Centro de Ecologia Funcional da FCTUC.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de estudos anteriores, que t\u00eam destacado o potencial dos servi\u00e7os dos ecossistemas dos espa\u00e7os verdes na contribui\u00e7\u00e3o de ambientes mais saud\u00e1veis e sustent\u00e1veis, esta investiga\u00e7\u00e3o, segundo o autor, pretendeu \u00ab<em>desconstruir estes espa\u00e7os, \u201colhar al\u00e9m do verde\u201d e entender a ecologia atrav\u00e9s de um prisma social, uma vez que o objeto em causa e a sua complexidade obrigam a olhar al\u00e9m do imediatamente vis\u00edvel e a considerar os usos dos espa\u00e7os<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Ao observar a dimens\u00e3o humana destes espa\u00e7os, este estudo apresenta um contributo importante para \u00ab<em>a sua considera\u00e7\u00e3o num planeamento urbano mais sustent\u00e1vel, mas sobretudo mais justo e inclusivo e que considere a pluralidade de usos no desenho dos mesmos, sublinhando a relev\u00e2ncia de contemplar a forma como a humanidade se relaciona com os elementos n\u00e3o humanos e com a natureza no seu todo<\/em>\u00bb, conclui o investigador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo realizado na cidade do Porto demonstrou que os espa\u00e7os verdes localizados em zonas de maior priva\u00e7\u00e3o socioecon\u00f3mica e ambiental s\u00e3o menos diversificados e menos frequentados pelos cidad\u00e3os. 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