{"id":26159,"date":"2024-12-16T12:36:36","date_gmt":"2024-12-16T11:36:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/?p=26159"},"modified":"2024-12-16T12:36:36","modified_gmt":"2024-12-16T11:36:36","slug":"descobertas-duas-novas-especies-de-coniferas-do-cretacico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/2024\/12\/16\/descobertas-duas-novas-especies-de-coniferas-do-cretacico\/","title":{"rendered":"Descobertas duas novas esp\u00e9cies de con\u00edferas do Cret\u00e1cico"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>M\u00e1rio Miguel Mendes, investigador do Centro de Ci\u00eancias do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), descobriu mais duas novas esp\u00e9cies de con\u00edferas atribu\u00eddas \u00e0 extinta fam\u00edlia Cheirolepidiaceae, recolhidas na regi\u00e3o de Juncal.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>De acordo com o cientista, a primeira das novas esp\u00e9cies corresponde a um cone masculino, denominada <em>Classostrobus doylei<\/em>, no qual se observam p\u00f3lenes de tipo <em>Classopollis triangulus<\/em>. \u00ab<em>Estes p\u00f3lenes nunca haviam sido reconhecidos dispersos nas nossas palinofloras e estamos convictos de que, ap\u00f3s a sua liberta\u00e7\u00e3o assumiam uma forma esf\u00e9rica, n\u00e3o sendo poss\u00edvel detetar as pontes de exina<\/em>\u00bb, revela <strong>M\u00e1rio Miguel Mendes<\/strong>.<\/p>\n<div id=\"attachment_26146\" style=\"width: 860px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Figura-1-Classostrobus-doylei-002.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26146\" class=\"size-full wp-image-26146\" src=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Figura-1-Classostrobus-doylei-002.jpg\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Figura-1-Classostrobus-doylei-002.jpg 850w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Figura-1-Classostrobus-doylei-002-300x132.jpg 300w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Figura-1-Classostrobus-doylei-002-768x339.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-26146\" class=\"wp-caption-text\">Imagens obtidas em microscopia eletr\u00f3nica de varrimento de Classostrobus archangelskyi sp. nov. do Cret\u00e1cico Inferior da Forma\u00e7\u00e3o de Figueira da Foz (Juncal). A. Cone masculino com microsporofilos dispostos helicoidalmente; escala 1 mm. B. Sacos pol\u00ednicos com gr\u00e3os de p\u00f3len in situ atribu\u00edveis a Classopollis triangulus (setas); escala 50 \u00b5m.<\/p><\/div>\n<p>Esta nova esp\u00e9cie, descrita e publicada na revista cient\u00edfica Cretaceous Research, foi dedicada a James Doyle, professor da Universidade da Calif\u00f3rnia (EUA). A realiza\u00e7\u00e3o deste trabalho envolveu a combina\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de microtomografia computadorizada de raios X (microCT), microscopia \u00f3tica, microscopia eletr\u00f3nica de varrimento e microscopia eletr\u00f3nica de transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>A segunda esp\u00e9cie, denominada <em>Frenelopsis callapezii<\/em>, foi descrita com base nos caracteres morfol\u00f3gicos dos eixos caulinares da planta e nas suas caracter\u00edsticas cuticulares, tendo sido dedicada a Pedro Callapez Tonicher, professor da FCTUC. \u00ab<em>Ao contr\u00e1rio de outras esp\u00e9cies do mesmo g\u00e9nero, esta n\u00e3o possui longos tricomas, apenas papilas, e apresenta um tipo de ramifica\u00e7\u00e3o pouco usual nos frenelops\u00eddeos<\/em>\u00bb, descreve o investigador.<\/p>\n<p>As con\u00edferas da fam\u00edlia <em>Cheirolepidiaceae<\/em> foram extremamente abundantes durante o Mesozoico, predominando em v\u00e1rias regi\u00f5es do globo, incluindo aquelas que hoje correspondem \u00e0 Am\u00e9rica do Norte e \u00e0 Europa. Os primeiros membros desta fam\u00edlia datam do in\u00edcio do Tri\u00e1sico Superior e, ao longo de 160 milh\u00f5es de anos, continuaram a diversificar-se, entrando em decl\u00ednio no final do Cret\u00e1cico.<br \/>\n\u00ab<em>Acredita-se que os \u00faltimos representantes do grupo tenham resistido na Am\u00e9rica do Sul at\u00e9 ao in\u00edcio do Paleog\u00e9nico, sobrevivendo \u00e0 extin\u00e7\u00e3o em massa do Cret\u00e1cico\/Paleog\u00e9nico (K\/Pg). A descri\u00e7\u00e3o das novas esp\u00e9cies portuguesas demonstra que a diversidade deste grupo \u00e9 muito maior do que se pensava e salienta tamb\u00e9m a import\u00e2ncia destas plantas nos ecossistemas do Cret\u00e1cico<\/em>\u00bb, considera o especialista do MARE\/FCTUC.<\/p>\n<p>Segundo M\u00e1rio Miguel Mendes, a paleoecologia destas plantas \u00e9 bastante vari\u00e1vel. \u00ab<em>Acredita-se que tenham ocupado ambientes de estu\u00e1rio, plan\u00edcies aluviais de \u00e1gua doce e locais mais elevados, sob influ\u00eancia de clima quente a temperado e, sazonalmente, com humidade significativa. A plasticidade morfol\u00f3gica e ecol\u00f3gica destas plantas pode explicar o seu grande sucesso evolutivo e a resist\u00eancia a condi\u00e7\u00f5es ambientais extremas. Al\u00e9m disso, h\u00e1 evid\u00eancias de que a poliploidia pode ter sido crucial para a especia\u00e7\u00e3o dentro das Cheirolepidiaceae<\/em>\u00bb, revela.<\/p>\n<p>Os estudos das <em>Cheirolepidiaceae<\/em> t\u00eam permitido reconstruir a sua evolu\u00e7\u00e3o em termos de diversidade e riqueza de esp\u00e9cies, hist\u00f3ria biogeogr\u00e1fica e inferir sobre as causas da sua extin\u00e7\u00e3o. \u00ab<em>Estas plantas t\u00eam sido modelos fant\u00e1sticos, pois o seu estudo tem contribu\u00eddo, sem d\u00favida, para compreender como as con\u00edferas se diversificaram e adaptaram ao longo dos tempos<\/em>\u00bb, conclui.<\/p>\n<p>Estes trabalhos foram realizados em colabora\u00e7\u00e3o com investigadores da Rep\u00fablica Checa, R\u00fassia e Holanda, tendo recebido financiamento da Czech Grant Agency e do MARE\/FCTUC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio Miguel Mendes, investigador do Centro de Ci\u00eancias do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), descobriu mais duas novas esp\u00e9cies de con\u00edferas atribu\u00eddas \u00e0 extinta fam\u00edlia Cheirolepidiaceae, recolhidas na regi\u00e3o de Juncal. 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