{"id":26425,"date":"2025-09-23T11:40:58","date_gmt":"2025-09-23T10:40:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/?p=26425"},"modified":"2025-09-23T11:40:58","modified_gmt":"2025-09-23T10:40:58","slug":"estudo-da-uc-conclui-que-atuar-cedo-sobre-pequenas-populacoes-de-acacias-e-essencial-para-travar-o-seu-avanco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/2025\/09\/23\/estudo-da-uc-conclui-que-atuar-cedo-sobre-pequenas-populacoes-de-acacias-e-essencial-para-travar-o-seu-avanco\/","title":{"rendered":"Estudo da UC conclui que atuar cedo sobre pequenas popula\u00e7\u00f5es de ac\u00e1cias \u00e9 essencial para travar o seu avan\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Um estudo liderado por Raquel Juan Ovejero, investigadora do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e da Universidade de Vigo, concluiu que atuar mais cedo sobre as pequenas popula\u00e7\u00f5es de ac\u00e1cias \u00e9 essencial para travar o seu avan\u00e7o.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A invas\u00e3o por ac\u00e1cias tem consequ\u00eancias cr\u00edticas para a estabilidade das florestas da faixa atl\u00e2ntica da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e, mesmo em n\u00edveis reduzidos de presen\u00e7a, o seu impacto \u00e9 not\u00e1vel, tanto na vegeta\u00e7\u00e3o como no solo. Estes resultados est\u00e3o publicados na revista cient\u00edfica Neobiota.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Estudo-foi-realizado-na-Serra-da-Lousa.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26426\" src=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Estudo-foi-realizado-na-Serra-da-Lousa.jpeg\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"638\" srcset=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Estudo-foi-realizado-na-Serra-da-Lousa.jpeg 850w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Estudo-foi-realizado-na-Serra-da-Lousa-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/Estudo-foi-realizado-na-Serra-da-Lousa-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/a>O estudo foi realizado na Serra da Lous\u00e3, uma regi\u00e3o com paisagem florestal fragmentada, onde coexistem planta\u00e7\u00f5es de pinheiros e outras con\u00edferas introduzidas, florestas nativas de carvalhos e castanheiros, bem como matos mediterr\u00e2nicos. Os investigadores analisaram de que forma a invas\u00e3o da <em>Acacia dealbata (ac\u00e1cia-mimosa)<\/em> e da <em>Acacia melanoxylon (ac\u00e1cia-negra)<\/em> afeta a estrutura da vegeta\u00e7\u00e3o, a qualidade do solo e da folhagem (em termos de teor de carbono e azoto), e as comunidades de col\u00eambolos &#8211; pequenos invertebrados do solo fundamentais para o ciclo de nutrientes e para a decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica. Foram ainda estudados os efeitos em cascata que estas altera\u00e7\u00f5es podem provocar no funcionamento geral do ecossistema.<\/p>\n<p>\u00ab<em>\u00c0 medida que aumenta a sua cobertura, diminui, de forma significativa a abund\u00e2ncia de plantas herb\u00e1ceas e a riqueza de esp\u00e9cies, o que se traduz numa perda clara de biodiversidade<\/em>\u00bb, explica a respons\u00e1vel do estudo. \u00ab<em>N\u00e3o s\u00f3 se detetou uma redu\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o carbono\/azoto da folhagem e um aumento do carbono org\u00e2nico com a invas\u00e3o das ac\u00e1cias &#8211; altera\u00e7\u00f5es que modificam a disponibilidade de nutrientes e os processos de decomposi\u00e7\u00e3o -, como tamb\u00e9m se registaram impactos na fauna\u00bb, acrescenta a investigadora, destacando que os diferentes grupos funcionais de col\u00eambolos responderam de forma desigual \u00e0s modifica\u00e7\u00f5es no solo e na folhagem, evidenciando \u00abaltera\u00e7\u00f5es subtis, mas relevantes na din\u00e2mica dos ecossistemas<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Esta investiga\u00e7\u00e3o refere que as ac\u00e1cias australianas se tornaram, pouco a pouco, num dos principais problemas ambientais da regi\u00e3o mediterr\u00e2nica. A sua capacidade de fixar azoto, formar massas densas e substituir a vegeta\u00e7\u00e3o aut\u00f3ctone altera profundamente a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas.<\/p>\n<p>\u00ab<em>Em Portugal, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 especialmente grave. \u00c9 o pa\u00eds mediterr\u00e2nico com maior n\u00famero de esp\u00e9cies de ac\u00e1cias invasoras, favorecidas pelo abandono rural e pela fragmenta\u00e7\u00e3o florestal<\/em>\u00bb, sublinha <strong>Raquel Juan. A Galiza<\/strong> acompanha esta tend\u00eancia, sofrendo tamb\u00e9m uma expans\u00e3o acelerada destas esp\u00e9cies. \u00ab<em>Estes fatores aumentam a vulnerabilidade das florestas e matos, onde as ac\u00e1cias avan\u00e7am rapidamente e provocam perdas de biodiversidade, altera\u00e7\u00f5es no solo e maiores dificuldades na gest\u00e3o florestal<\/em>\u00bb, afirma.<\/p>\n<p>Os especialistas conclu\u00edram que \u00ab<em>as interven\u00e7\u00f5es precoces s\u00e3o mais eficazes, menos dispendiosas e reduzem o risco de consequ\u00eancias ecol\u00f3gicas graves. No entanto, a gest\u00e3o requer acompanhamento cont\u00ednuo, dado que ambas as esp\u00e9cies possuem bancos de sementes persistentes e podem rebrotar ap\u00f3s perturba\u00e7\u00f5es<\/em>\u00bb, alertam. Al\u00e9m disso, acrescentam que a restaura\u00e7\u00e3o de habitats nativos surge como uma ferramenta fundamental para refor\u00e7ar a estabilidade dos ecossistemas e prevenir novas invas\u00f5es.<\/p>\n<p>Na Galiza e em Portugal, as medidas para conter a expans\u00e3o das ac\u00e1cias baseiam-se, geralmente, na elimina\u00e7\u00e3o manual ou mec\u00e2nica de pl\u00e2ntulas e pequenos n\u00facleos, no descasque ou, quando tal n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel, na inje\u00e7\u00e3o de herbicida em exemplares isolados, bem como no corte basal de manchas mais extensas. Neste \u00faltimo caso, \u00e9 necess\u00e1rio aplicar tratamentos complementares, que podem incluir cortes repetidos antes de os rebentos atingirem cerca de um metro de altura, a aplica\u00e7\u00e3o de herbicida nos rebentos quando poss\u00edvel, ou o tratamento qu\u00edmico direto do cepo.<\/p>\n<p>\u00ab<em>Em todos os cen\u00e1rios \u00e9 essencial garantir um acompanhamento cont\u00ednuo, dado que tanto a Acacia dealbata, como a Acacia melanoxylon possuem bancos de sementes persistentes e apresentam elevada capacidade de rebrote ap\u00f3s corte ou inc\u00eandio<\/em>\u00bb, termina a investigadora, salientando ainda que a restaura\u00e7\u00e3o dos habitats nativos afetados \u00e9 uma pr\u00e1tica recomend\u00e1vel, uma vez que favorece a recupera\u00e7\u00e3o dos ecossistemas e contribui para reduzir o risco de reinvas\u00e3o.<\/p>\n<p>Este estudo foi realizado no \u00e2mbito do projeto-piloto MyForest, integrado do F4F -Forest For Future, um projeto regional que teve como objetivo a valoriza\u00e7\u00e3o da fileira florestal da regi\u00e3o centro, financiado pela CCDRC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo liderado por Raquel Juan Ovejero, investigadora do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e da Universidade de Vigo, concluiu que atuar mais cedo sobre as pequenas popula\u00e7\u00f5es de ac\u00e1cias \u00e9 essencial para travar o seu avan\u00e7o. 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