{"id":26583,"date":"2026-02-07T13:17:22","date_gmt":"2026-02-07T12:17:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/?p=26583"},"modified":"2026-02-07T13:17:22","modified_gmt":"2026-02-07T12:17:22","slug":"descoberta-de-investigadores-da-universidade-de-coimbra-revela-plantas-com-flor-com-cerca-de-87-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/2026\/02\/07\/descoberta-de-investigadores-da-universidade-de-coimbra-revela-plantas-com-flor-com-cerca-de-87-milhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"Descoberta de investigadores da Universidade de Coimbra revela plantas com flor com cerca de 87 milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>M\u00e1rio Miguel Mendes e Pedro Miguel Callapez, investigadores da Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), descobriram novos frutos de angiosp\u00e9rmicas (plantas com flor) em flora do Cret\u00e1cico Superior de Portugal. Os novos esp\u00e9cimes foram recolhidos em jazida fossil\u00edfera localizada junto da pequena localidade de Seadouro, concelho de Vagos, distrito de Aveiro.<\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_26572\" style=\"width: 860px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/endressianthus.1200x0.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-26572\" class=\"size-full wp-image-26572\" src=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/endressianthus.1200x0.jpg\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/endressianthus.1200x0.jpg 850w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/endressianthus.1200x0-300x143.jpg 300w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/endressianthus.1200x0-768x365.jpg 768w, https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/wp-content\/uploads\/endressianthus.1200x0-335x160.jpg 335w\" sizes=\"auto, (max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-26572\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1. A. Fruto pertencente ao g\u00e9nero Endressianthus proveniente do Coniaciano superior de Portugal. B. P\u00f3lenes do grupo Normapolles observados in situ na \u00e1rea estigm\u00e1tica (setas) do exemplar figurado em A. Escala: A \u2013 500 \u00b5m; B \u2013 20 \u00b5m.<\/p><\/div>\n<p>\u00ab<em>Os exemplares de Seadouro encontram-se muito bem preservados e embora n\u00e3o seja poss\u00edvel extrair muita informa\u00e7\u00e3o acerca dos \u00f3rg\u00e3os florais, al\u00e9m do gineceu, estes apresentam vest\u00edgios de poss\u00edveis filamentos estaminais e t\u00e9palas. Al\u00e9m disso, e mais importante, na \u00e1rea estigm\u00e1tica observam-se gr\u00e3os de p\u00f3len do grupo Normapolles, permitindo incluir as novas angiosp\u00e9rmicas na ordem Fagales e atribu\u00ed-las, sem qualquer d\u00favida, ao g\u00e9nero Endressianthus<\/em>\u00bb, explica <strong>M\u00e1rio Miguel Mendes, do investigador do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o da Terra e do Espa\u00e7o da Universidade de Coimbra (CITEUC) e docente da Universidade Fernando Pessoa (Porto)<\/strong>.<\/p>\n<p>Os novos frutos est\u00e3o a ser descritos como uma nova esp\u00e9cie do g\u00e9nero <em>Endressianthus<\/em>, mas a sua posi\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel da fam\u00edlia continua a ser incerta. No entanto, os investigadores ressaltam que apresentam estreitas semelhan\u00e7as com membros das Fagales atribu\u00edveis \u00e0 fam\u00edlia <em>Betulaceae<\/em>, na qual se incluem importantes plantas de pomar como a aveleira-comum (<em>Corylus avellana<\/em>) e a aveleira-turca (<em>Corylus colurna<\/em>).<\/p>\n<p>\u00ab<em>Creio que os estudos de tomografia de raios-X por radia\u00e7\u00e3o de sincrotr\u00e3o e a compara\u00e7\u00e3o com elementos da flora moderna ir\u00e3o permitir a obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es mais precisas e, talvez, alguma aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia<\/em>\u00bb, considera o paleobot\u00e2nico.<\/p>\n<p>De acordo com os investigadores, a presen\u00e7a de frutos de angiosp\u00e9rmicas do g\u00e9nero <em>Endressianthus<\/em> j\u00e1 havia sido reportada no Cret\u00e1cico Superior de Portugal, concretamente, no Campaniano \u2013 Maastrichtiano de Mira e de Esgueira (Aveiro). Contudo, a esp\u00e9cie afasta-se das formas anteriormente descritas e foi identificada em flora do Coniaciano superior, exprimindo, explicitamente, que este grupo de angiosp\u00e9rmicas j\u00e1 se encontrava bem estabelecido nas floras do Cret\u00e1cico Superior portugu\u00eas h\u00e1 cerca de 87 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>A ocorr\u00eancia de gr\u00e3os de p\u00f3len do grupo <em>Normapolles<\/em> tem sido documentada em diversas associa\u00e7\u00f5es esporo-pol\u00ednicas da Europa, do Turoniano ao Eoc\u00e9nico. A morfologia destes gr\u00e3os de p\u00f3len e a sua abund\u00e2ncia nas palinofloras do Cret\u00e1cico Superior aponta para a ocorr\u00eancia de poliniza\u00e7\u00e3o anem\u00f3fila nestas plantas, ou seja, poliniza\u00e7\u00e3o realizada por a\u00e7\u00e3o do vento.<\/p>\n<p>\u00ab<em>H\u00e1, ainda, evid\u00eancias paleobot\u00e2nicas que sugerem que estas angiosp\u00e9rmicas eram comuns em ecossistemas \u00e1ridos ou semi\u00e1ridos do Cret\u00e1cico Superior e, curiosamente, as novas angiosp\u00e9rmicas do Coniaciano superior portugu\u00eas foram identificadas em associa\u00e7\u00e3o com in\u00fameros fragmentos de frenelops\u00eddeos atribu\u00edveis a Frenelopsis oligostomata \u2013 indicadores de condi\u00e7\u00f5es xerom\u00f3rficas<\/em>\u00bb, conclui <strong>M\u00e1rio Miguel Mendes<\/strong>.<\/p>\n<p>Os trabalhos atualmente em curso est\u00e3o a ser desenvolvidos em parceria com investigadores do National Museum Prague (Rep\u00fablica Checa) e receberam financiamento do CITEUC e da Czech Grant Agency.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio Miguel Mendes e Pedro Miguel Callapez, investigadores da Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), descobriram novos frutos de angiosp\u00e9rmicas (plantas com flor) em flora do Cret\u00e1cico Superior de Portugal. 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