{"id":502,"date":"2007-05-08T10:44:24","date_gmt":"2007-05-08T09:44:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/?p=502"},"modified":"2008-11-24T14:12:50","modified_gmt":"2008-11-24T13:12:50","slug":"a-moda-dos-congressos-jardins-flores-e-utopia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldojardim.com\/pdj\/2007\/05\/08\/a-moda-dos-congressos-jardins-flores-e-utopia\/","title":{"rendered":"A MODA DOS CONGRESSOS: Jardins, flores e utopia"},"content":{"rendered":"<p>[img]https:\/\/www.portaldojardim.com\/artigos\/empresas\/congressos070507\/abertura.jpg[\/img]\u00a0<\/p>\n<div>[i]Texto: Jos\u00e9 Eduardo Franco, Historiador<br \/>\nFoto: Portal do Jardim[\/i]<\/div>\n<p>Os congressos est\u00e3o definitivamente em moda. Fazem-se congressos sobre tudo e mais alguma coisa. Desde assuntos m\u00e9dicos passando por quest\u00f5es de hist\u00f3ria ou at\u00e9 sobre flores e jardins. O pr\u00f3prio autor que vos escreve estas reflex\u00f5es tem promovido aquela forma de reuni\u00e3o para debater, aprofundar e actualizar conhecimentos. Por exemplo, estamos agora a preparar um congresso internacional sobre os \u201cJardins do Mundo\u201d, que ter\u00e1 lugar na Ilha da Madeira no pr\u00f3ximo m\u00eas de Maio, dias 9 a 12, no Centro de Congressos da Madeira sediado no Casino Park Hotel do Funchal. E porque n\u00e3o partilhar o estudo das flores, dos resumos da natureza, dos espa\u00e7os miniaturizados de beleza e de harmonia natural que s\u00e3o os jardins, quais concretiza\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas, num pequeno recinto, dos nossos sonhos ut\u00f3picos de harmonia entre o homem e natureza. Quem n\u00e3o sonha ter uma casa com um jardim, ou se j\u00e1 tem, com jardim fant\u00e1stico.<\/p>\n<p>O jardim \u00e9 de facto o microcosmo, a constru\u00e7\u00e3o ideal do bem e da perfei\u00e7\u00e3o, o lugar do sil\u00eancio e da contempla\u00e7\u00e3o, e ao mesmo tempo o espa\u00e7o da alegria e da descontrac\u00e7\u00e3o. O arquetipismo do jardim remete-nos para uma simbologia agregadora, de unifica\u00e7\u00e3o, de regresso, de recupera\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m de finalidade ut\u00f3pica. N\u00e3o deixa, por isso, de ser significativo que um dos projectos arquitect\u00f3nicos ganhadores do concurso para substituir o World Trade Center destru\u00eddo pelo atentado de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, da autoria do arquitecto polaco Daniel Libeskin se chame precisamente &#8220;World Trade Center Gardens of the World&#8221;. Perante a consci\u00eancia traum\u00e1tica, de desagrega\u00e7\u00e3o, de factura, que representou a destrui\u00e7\u00e3o provocado pelo atentado, o tema do jardim \u00e9 evocado arquitectonicamente como possibilidade simb\u00f3lica de recupera\u00e7\u00e3o do ideal de unidade e de harmonia e paz pedido.<\/p>\n<p>Os congressos de que falamos s\u00e3o, todavia, uma cria\u00e7\u00e3o recente em termos hist\u00f3ricos, contando menos dois s\u00e9culos. O termo vem do latim congressus, cuja raiz etimol\u00f3gica congredi significa conferenciar, encontrar-se para conversar. Era uma palavra usada para dizer uma reuni\u00e3o de v\u00e1rias pessoas com o fim de debater e resolver algum problema ou neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>O voc\u00e1bulo \u201cCongresso\u201d vulgarizou-se, na ordem pol\u00edtica, para significar uma reuni\u00e3o normalmente realizada para tratar de assuntos governativos, particularmente a concerta\u00e7\u00e3o de entendimentos entre na\u00e7\u00f5es. Na ordem can\u00f3nica, conc\u00edlios e cap\u00edtulos de Congrega\u00e7\u00f5es configuram-se como assembleias congressistas com tradi\u00e7\u00e3o t\u00e3o antiga quanto o cristianismo. Recorde-se o primeiro Conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m relatado pelos Actos dos Ap\u00f3stolos, onde S. Paulo conseguiu persuadir os disc\u00edpulos de Jesus a abrir a prega\u00e7\u00e3o do Evangelho aos gentios quebrando a exclusividade da sua proclama\u00e7\u00e3o apenas aos Judeus.<\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria contempor\u00e2nea, a tradi\u00e7\u00e3o dos congressos, com o modelo mais parecido ao de hoje, surge na \u00c1ustria, tendo como mentor o ministro Clemente Metternic, o qual planeou o primeiro congresso assim chamado para tentar resolver diplomaticamente os conflitos que dividiam a Fran\u00e7a napole\u00f3nica e o resto da Europa. Esse Congresso, depois de ter sido agendado para Praga, acabou realizar-se em Viena de \u00c1ustria em 1814. No entanto, aquele encontro ficou conhecido como \u201ccongresso dan\u00e7ante\u201d, pois dan\u00e7ou-se mais em belas festas de sal\u00e3o do que se resolveu os problemas em debate, n\u00e3o se conseguindo a m\u00e9dio prazo a desejada pacifica\u00e7\u00e3o da Europa.<\/p>\n<p>Na verdade, s\u00f3 depois de meados do s\u00e9culo XIX, os congressos, com o modelo de Matternich, vieram a ganhar forma cultural e se afirmaram como pr\u00e1tica recorrente, alguns deles com grande projec\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica (vide congressos partid\u00e1rios). De dimens\u00f5es v\u00e1rias em termos de abrang\u00eancia (regional, nacional, internacional e mundial), passaram a organizar-se congressos de diversos tipos e para todos os gostos, sensibilidades e tend\u00eancias ideol\u00f3gicas: pol\u00edticos, ideol\u00f3gicos, religiosos, cient\u00edficos, sociais, sindicais, etc. Os congressos tornaram-se lugar de encontro, de debate de ideias, de partilha de conhecimentos e de propostas de ac\u00e7\u00e3o, de mobiliza\u00e7\u00e3o, de forma\u00e7\u00e3o, de manifesta\u00e7\u00e3o de milit\u00e2ncia, de conhecimento pessoal, mas tamb\u00e9m de confraterniza\u00e7\u00e3o, condimentados com banquetes, bailes, sess\u00f5es solenes, recep\u00e7\u00f5es, visitas de estudo, passeios, prociss\u00f5es, desfiles, exposi\u00e7\u00f5es, etc. De facto, esta forma de reuni\u00e3o imp\u00f4s-se n\u00e3o s\u00f3 como evento cultural, mas ainda como acontecimento social. Passou at\u00e9 a obrigar a vestu\u00e1rio adequado, ao inc\u00f3modo da desloca\u00e7\u00e3o de uma terra com investimento em viagens, a estadias organizadas, \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Uma oportunidade para muitos autores e figuras da sociedade, da pol\u00edticas e da cultura serem conhecidas e interpeladas pessoalmente. Portanto, o congresso tornou-se um aut\u00eantico lugar de epifania, de revela\u00e7\u00e3o e, de algum modo, uma esp\u00e9cie de ritual social de passagem, de prova ou de consagra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>De certo modo, o congresso acaba por uma s\u00edntese de um ideal de partilha de conhecimento, uma antecipa\u00e7\u00e3o concentrada de uma utopia de encontro. Em 3 ou 4 dias ensaia-se num congresso uma mini-universidade, uma experi\u00eancia de transmiss\u00e3o e troca de saberes com ambi\u00e7\u00e3o totalizante em torno de determinado tema e assunto. Possam de facto os congressos de hoje unir em vez de separar e combater o individualismo e indiferentismo desagregador da nossa sociedade que tende a ficar ensimesmada e fechada em casa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os congressos est\u00e3o definitivamente em moda. Fazem-se congressos sobre tudo e mais alguma coisa. Desde assuntos m\u00e9dicos passando por quest\u00f5es de hist\u00f3ria ou at\u00e9 sobre flores e jardins. 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