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Camellia sasanqua Thunb. (1784)

Ainda ontem era verão e escrevia sobre plantas anuais e jardins coloridos. Hoje trago-vos o outono que já se faz notar na coloração das árvores caducifólias, bem como na floração das Sasanquas que marcam, assim, o início de mais uma época do ano na qual a flor rainha é a camélia.

O género Camellia spp., nativo do Oriente, é o maior género na família Theaceae, com cerca de 267 espécies e variedades (ICS1, 2014), e milhares de cultivares. Apesar da grande diversidade de espécies, apenas algumas são amplamente cultivadas como plantas ornamentais de jardim: Camellia japonica, Camellia reticulata, Camellia sasanqua, ou os híbridos. As Japónicas são, sem dúvida, as mais conhecidas e cultivadas em Portugal.

O valor ornamental da espécie Camellia sasanqua nem sempre foi reconhecido. Os jardineiros europeus do século XIX utilizavam muito pouco as Sasanquas por acreditarem tratar-se de plantas pouco resistentes, e que as suas flores, pequenas e de formas simples, teriam qualidade inferior quando comparadas, por exemplo, às Japónicas. Mesmo no Japão, onde a Camellia sasanqua é nativa, durante muito tempo esta planta, juntamente com a Camellia oleifera (nativa da China), foi mais valorizada pela utilização das suas sementes para a produção de óleo, do que propriamente pelas suas flores.

White Cleopatra

White Cleopatra

Atualmente, a perceção do valor ornamental destas plantas alterou-se. As Sasanquas são, cada vez mais, apreciadas não só pela elegância da sua planta como também pela beleza das suas encantadoras flores outonais, que nos presenteiam com perfumes extremamente agradáveis, preparando-nos, assim, para a época das camélias por excelência.

As espécies nativas possuem sempre flores mais pequenas, geralmente solitárias, simples, e brancas. No entanto, as novas cultivares e híbridos podem ser, também, dobradas ou semidobradas, de tons rosa, mais ou menos intenso, e raramente são vermelhas. A diferença de formas, cores e texturas tanto das flores como das plantas, em relação às formas mais selvagens, é tão notória que fica a suspeição de se tratar de membros de espécies diferentes.

Camellia sasanqua ‘Hiryû (Scarlet Dragon)’

Camellia sasanqua ‘Hiryû (Scarlet Dragon)’

Kôgyoku (Red-Gem)

Kôgyoku (Red-Gem)

Paradise Vanessa

Paradise Vanessa

Nodami ushiro (Obscure)

Nodami ushiro (Obscure)

As Sasanquas são geralmente arbustos, muito ramificados, com cerca de 2,5-3 m de altura, que podem atingir o porte de pequenas árvores com tamanhos entre 5-6 m.

Eu, que tenho dedicado muito do meu trabalho à coleção de cameleiras existente no parque, considerado Jardim de Camélias de Excelência, pela International Camellia Society, em 2014, confesso a minha predileção por esta espécie. É delicioso e reconfortante passar pelo jardim das Sasanquas e disfrutar de toda a cor e perfume que as suas flores libertam, principalmente naqueles dias escuros e chuvosos de outono. Neste sentido, espero que este pequeno artigo sirva, também, para desfazer o mito de que as camélias são flores sem perfume. As Sasanquas, geralmente os híbridos de Sasanquas, e muitas outras espécies menos conhecidas são exemplo disso.

Hugh Evans

Hugh Evans

Sakura zukuyo

Sakura zukuyo

Rosette

Rosette

Paradise Blush

Paradise Blush

Yuletide

Yuletide

Cultivo

Tratam-se de plantas de cultivo relativamente fácil. Não necessitam de podas, embora possam ser podadas caso necessário, adaptam-se muito bem a zonas de meia sombra, suportam geadas suaves e gostam de verões quentes, mas não muito secos. A chuva no verão e níveis de humidade relativamente altos são importantes.

É uma planta que prefere solos com boa drenagem e o pH do solo é um fator muito importante. As cameleiras em geral necessitam de solos com um pH ligeiramente ácido (pH ideal: 5,5 a 6,8). As Sasanquas são, também, a melhor opção quando os nossos solos são mais alcalinos, visto que algumas cultivares adaptam-se bem em solos ligeiramente alcalinos (pH 7 a 7,5).

São plantas que, quando já estabelecidas, e bem desenvolvidas, em solos ricos em matéria orgânica, praticamente dispensam a aplicação de fertilizantes.

Do ponto de vista fitossanitário, e de acordo com um estudo que realizei entre 2010 e 2012 sobre doenças e pragas encontradas na coleção de cameleiras existente no Parque Terra Nostra, as flores de Sasanquas, ao contrário das outras espécies estudadas, nunca demonstraram sintomas do fungo Ciborinia camelliae, um dos parasitas mais prejudiciais às cameleiras, visto atacar especificamente as flores. Esta menor suscetibilidade ao fungo pode dever-se ao facto de se tratar de uma espécie cujas flores são, na sua maioria, pequenas, singelas, com poucas pétalas e portanto mais arejadas, não permitindo por isso a instalação e proliferação deste fungo.

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Termino com o período de floração das Sasanquas que, por cá, tem início no final de setembro e perdura até o início de janeiro. Contudo, o pico de floração ou a plena floração verifica-se entre outubro e novembro.

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Bom outono!

1 ICS (International Camellia Society)

Carina Amaral Costa, com 29 anos, é natural da Ilha de São Miguel, Açores.
Concluiu, na Universidade dos Açores, uma licenciatura e mestrado em Agronomia, e desempenha as funções de Eng. Agrónoma no Parque Terra Nostra desde 2012.
Colabora com o Portal do Jardim dando largas ao gosto pela escrita e pela partilha de conhecimentos.
Promete, mensalmente, relatar o seu quotidiano num dos parques mais ricos a nível botânico, abordando conteúdos sobre plantas, técnicas de jardinagem utilizadas, problemas fitossanitários e respetivos tratamentos. Todavia, e perante tamanha diversidade existente no local onde trabalha, os conteúdos a abordar são ilimitados.

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2 Comments

  1. lizete 10 de Julho de 2016

    Gostaria de saber como fazer mudas de camélias, através de estacas! Possuo em meu sítio, camélias vermelhas e dobradas, lindas, meu sítio é em Triunfo Rs. Aguardo tua resposta! Muito obrigada!

    Responder
  2. Carina Costa 30 de Outubro de 2018

    Olá Lizete,

    Talvez lhe possa ajudar a informação do link abaixo:

    https://www.portaldojardim.com/pdj/2016/02/18/propagacao-de-cameleiras-por-estacaria/

    Responder

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