A inauguração de três novos percursos temáticos na Tapada de Monserrate assinala um novo capítulo na valorização do património natural e paisagístico do Parque Natural de Sintra-Cascais, alinhando-se com os princípios e metas do recentemente apresentado Plano Nacional de Restauro da Natureza, coordenado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
De acordo com João Sousa Rego, Presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra, “a recuperação e abertura deste espaço ao público refletem uma visão integrada de conservação, restauro ecológico e valorização da biodiversidade, contribuindo para a proteção dos ecossistemas, o reforço da conectividade ecológica e a promoção de uma relação mais próxima entre as pessoas e a natureza, criando zonas que promovem o usufruto e a estadia da comunidade local.”
O responsável sublinha que “a implementação destes percursos temáticos vem trazer um novo dinamismo à Tapada de Monserrate, valorizando-a e consolidando-a como um espaço vivo e educativo ao serviço da comunidade e do seu bem-estar. Mais do que abrir caminhos, o projeto cria ligações — entre a população e o território, entre o lazer e a consciência ambiental, e entre o passado e o futuro da Serra de Sintra”.
Num momento em que Portugal prepara a implementação das medidas previstas no Plano Nacional de Restauro da Natureza, “a Tapada de Monserrate surge como um exemplo concreto de como a recuperação de áreas naturais pode gerar benefícios ambientais, sociais e culturais, promovendo simultaneamente a resiliência dos territórios face às alterações climáticas e a valorização do capital natural”, realça João Sousa Rego.
Mais do que uma intervenção de requalificação, este projeto, que representa um investimento de cerca de 450 mil euros, demonstra a importância de investir na recuperação de ecossistemas e na gestão sustentável da paisagem, objetivos que estão no centro da estratégia nacional para restaurar a natureza e reforçar a biodiversidade em Portugal.
Três percursos, três formas de viver a natureza
Na Tapada de Monserrate, ao longo de trilhos florestais pontuados por charcas, linhas de água e espaços de contemplação e lazer, os visitantes poderão usufruir da natureza e aceder a conteúdos sobre fauna, flora e o sistema tradicional de águas, reforçando a componente pedagógica e ambiental do projeto.
O percurso Verde – Floresta (2,2 km) centra-se nos ecossistemas florestais e, através do conceito de Food Forest – Bosque de Alimentos, promove os recursos da floresta não associados à produção de madeira, como o mel, os frutos silvestres, as ervas aromáticas, entre outros. O itinerário contempla, igualmente, hotspots de biodiversidade, que são espaços criados com o objetivo de potenciar os habitats e os espaços de alimento e nidificação para diferentes espécies, como hotéis de insetos e prados biodiversos.
O percurso Azul – Água (3,3 km) é dedicado aos recursos hídricos e ao sistema tradicional de águas que alimenta a Tapada e o Parque de Monserrate. O trilho dá a conhecer as espécies que povoam lagoas, charcas e linhas de água, bem como a sua importância ecológica. A instalação de pontos de observação permite aos visitantes um melhor usufruto destes ecossistemas, que são, também eles, hotspots de biodiversidade.
O percurso Laranja – Movimento (4,6 km) é um trajeto circular concebido para incentivar a atividade física em contacto com a natureza. Em cinco locais distribuídos pelo itinerário, os visitantes encontram estruturas harmoniosamente integradas na paisagem que permitem realizar diferentes exercícios físicos, complementado a caminhada.
O projeto inclui pontos de descanso, com mesas de piquenique e espaços de brincar, onde crianças e adultos podem tirar partido de atividades integradas na natureza.
Fotografias: @©PSML_Emigus
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