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Plantas Carnívoras: Heliamphoras

Originarias de planaltos isolados do continente sul americano as Heliamphoras são plantas carnívoras que devido à sua localização muito particular se mantiveram longe do alcance dos investigadores durante muito tempo. A primeira espécie foi descoberta apenas no século XIX, e foi necessário decorrer quase mais um século até outras espécies serem encontradas.

Estes planaltos elevados encontram-se a uma altitude que os coloca muitas vezes no meio das nuvens, e por isso são fustigados com ventos fortes e uma elevada precipitação que ao longo de milénios lavou todo e qualquer solo que pudesse por lá ter existido, este tipo de condições acabam por ser propicias à existência de plantas carnívoras, pois estas possuem uma vantagem competitiva em relação a outras plantas ao obterem os minerais que necessitam através dos insetos que capturam.

As armadilhas do género Heliamphora são enganadoramente simples para uma observação menos atenta, parecendo que são simplesmente uma folha enrolada presa pelas extremidades formando um tubo, mas subtilezas escondem-se por debaixo desta aparente simplicidade, os tubos estão abertos e recebem a água da chuva, mas para manter o nível de água constante os tubos possuem um pequeno furo ou rasgo, dependendo da espécie, que permite que a água em excesso escorra para fora do tubo, mas sendo um furo muito pequeno não permite que as presas saiam juntamente com a água.
Diretamente por cima da abertura do tubo existe uma pequena protuberância que possui na sua face inferior uma grande quantidade de glândulas de néctar, o objetivo desta estrutura é atrair insetos através da sua coloração e do néctar produzido. Ao estar localizada diretamente sobre a abertura do tubo torna-se uma armadilha mortal para os insetos que nela poisam em busca do apetecido néctar, qualquer erro por parte deles e caem diretamente dentro do tubo, este por sua vez possui na sua parte superior uma quantidade imensa de pequenos pelos virados para baixo que impedem que os insetos que caiam se possam agarrar e subir para a liberdade, passando esta zona segue-se outra completamente lisa que impede que os insetos consigam ganhar apoio.

As indefesas vitimas terminam afogadas na água que se encontra na parte inferior do tubo. Ao contrário de muitas outras carnívoras que ativamente produzem enzimas que digerem os insetos as Heliamphoras contam com a ajuda de bactérias que decompõem os insetos o que permite que posteriormente as plantas absorvam os subprodutos da sua ação. Muitas vezes também são encontrados alguns organismos maiores que aproveitam a água dentro dos tubos para viver, no caso de larvas de mosquitos, ou como proteção e local de caça, no caso de alguns sapos, em qualquer uma destas situações as plantas beneficiam dos dejetos destes animais como forma de obterem os minerais que necessitam.
O aspeto dos tubos das Heliamphoras descrito em cima é o aspeto dos tubos adultos na maioria das espécies, no entanto, nos primeiros 2 a 4 anos de vida destas plantas os tubos formados são mais pequenos e simples, sem a protuberância produtora de néctar por cima dos tubos, esses são denominados por armadilhas juvenis, e são praticamente idênticas entre todas as espécies de Heliamphoras, as diferenças entre as espécies só se tornam mais evidentes nas armadilhas adultas.

Outra particularidade das Heliamphoras são as suas flores, estão adaptadas para favorecer a polinização cruzada em detrimento da auto polinização, o pólen fica pronto antes da parte feminina da flor estar recetiva, a forma de libertação do pólen também é muito interessante, encontra-se encerrado dentro das anteras e apenas pode sair por um pequeno orifício, para haver libertação do pólen as anteras têm de ser submetidas a uma vibração de frequência correta, vibração essa produzida pelos insetos polinizadores ao baterem as suas asas.
Estas plantas não são encontradas facilmente no comercio, e quando estão disponíveis estão ainda no seu estado juvenil, demorando alguns anos a apresentarem a sua beleza no seu total esplendor.
As Heliamphoras apreciam um solo que retenha muita humidade mas bem arejado e solto, uma mistura que funciona bem é uma parte de turfa sem fertilizantes para duas partes de perlite.
O solo deve ser mantido constantemente húmido, podendo ser utilizado o método do prato com água por baixo do vaso, a água utilizada deve ser, como em todas as carnívoras água destilada, da chuva ou de osmose.
As Heliamphoras não são plantas ideais para quem esteja a começar com plantas carnívoras, não estão adaptadas ao nosso clima sendo por isso quase impossível mantê-las ao ar livre, exceto em casos muito específicos como é o caso das ilhas ou alguns locais mais húmidos e de temperaturas mais amenas, por isso necessitam de condições artificiais que devem ser proporcionadas em estufas ou terrários.
Entre essas condições temos a temperatura, este género aprecia uma diferença entre a temperatura noturna e diurna, este é um requisito comum em plantas originárias de locais de altitudes elevadas, de noite uma temperatura entre os 7 ºC e os 16 ºC , de dia entre os 16 ºC e os 27 ºC, sendo de evitar valores acima dos 30 ºC, estes valores para as temperaturas noturnas e diurnas devem ser mantidos a longo de todo o ano.
Provavelmente a maior dificuldade encontrada no cultivo das Heliamphoras é a sua manutenção durante o nosso verão devido ás temperaturas altas durante o dia e noite, como as espécies mais tolerantes ao calor são as H. heterodoxa e a H. minor são estas as espécies ideais para quem se inicia no género Heliamphora.
Outro requisito que deve ser respeitado é a necessidade de valores elevados de humidade atmosférica, dai que as estufas ou os terrários sejam essenciais, as Heliamphoras são das plantas que beneficiam da presença de musgo esfagno vivo a cobrir o solo no vaso, porque o musgo vai ajudar no aumento da humidade local e através da evaporação da água produz um efeito refrescante para o solo e as plantas.
Em relação á luz, sendo que na maioria das espécies o seu habitat é desprovido de árvores ou plantas de grandes dimensões estão habituadas a receber grandes quantidades de luz, o que no caso de estarem em terrários obriga a uma utilização de iluminação artificial potente. Em estufas o sol direto é desejável mas deve ser equilibrado com a temperatura excessiva que as estufas podem atingir quando a exposição ao sol é muito elevada.
As Heliamphoras podem ser alimentadas com insetos de tamanho adequado ao diâmetro das armadilhas, principalmente se estiverem dentro de terrários o que diminui grandemente as suas hipóteses de capturarem presas por si só.
O método de multiplicação mais usado é o da divisão, naturalmente as plantas formam aglomerados que podem ser facilmente divididos, as melhores épocas do ano para executar esta tarefa deve ser a primavera ou o outono devido ás temperaturas mais amenas que ajudam na recuperação das plantas. Esta divisão pode ocorrer quando se nota que a planta apresenta dois ou mais pontos de crescimento distintos, processa-se retirando a planta do solo e cuidadosamente separando esses pontos de crescimento individuais tendo o cuidado de a separação garantir que cada um deles possui algumas raízes.

Paulo Lourenço / cp_produtos@yahoo.com /  / www.carnivoras.org

A Associação Portuguesa de Plantas Carnívoras foi criada como resultado do atemporal projecto de alguns cultivadores destes espécimes. Nasceu da necessidade incontestável de proteger as Plantas Carnívoras em Portugal e representa o desejo de consciencialização para as questões ambientais.
Como associação compromete-se também a prestar ajuda a todos os que se interessam por estas encantadoras plantas sendo um dos objectivos principais promover o gosto pelo cultivo de Plantas Carnívoras.
Um banco de sementes, um herbário dedicado a plantas carnívoras, um registo de localizações de populações das espécies autóctones e uma publicação periódica são alguns dos projectos da APPC e que visam estabelecer uma ligação entre a APPC, os seus sócios e as Plantas Carnívoras. Website APPC

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