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O meu Jardim é no Campo: Salinas do Samouco e as suas paisagens

Em pleno estuário do Tejo, as Salinas do Samouco são um espaço privilegiado de contacto com a Natureza e uma forma de recordar uma atividade económica com grande impacto que é a produção e tratamento do sal.

Texto e fotografias: Vasco de Melo Gonçalves

A Fundação para a Proteção e Gestão Ambiental das Salinas de Samouco surge como contrapartida da construção da ponte Vasco da Gama. Em pleno estuário do Tejo, as salinas são um local de biodiversidade onde cerca de 170 espécies de aves já foram avistadas nos 360 hectares que compõem o complexo das Salinas, outrora chegou a ser o maior produtor de sal de Portugal.

Rapação do Sal

A Fundação propõe dois percursos sinalizados, o Pernilongo com 7,8 km de extensão e o do Flamingo com 4,56 km. Ambos são circulares e com um grau de dificuldade reduzido. Durante o Verão, o visitante terá a oportunidade de ver a única salina em produção no estuário do Tejo, a Salina do Canto. O espaço possui uma pequena loja onde são comercializados alguns produtos nomeadamente, sabonetes de leite de burra, guias de aves e embalagens de Salicórnia Fresca (legumes do mar).
Quando visitei (no Verão e com guia) as Salinas do Samouco efetuei o percurso dos Flamingos e tive a oportunidade de observar diversas espécies de aves nomeadamente, Flamingo, Garça-branca-pequena, Garça-real, Pernilongo, Milherango, Chilreta, Pilrito-de-peito-preto, Borrelho-de-coleira-interrompida, andorinhas dos beirais e águia-sapeira. Como estávamos no Verão tive ainda a oportunidade de presenciar a rapação do sal e respetivo processamento. Uma atividade dura que, na altura, contou com a colaboração de diversos voluntários.

Roda hidráulica

O que me agrada na paisagem de sapal é a dinâmica que o espaço tem devido às marés e, no caso das salinas, devido ao controlo existente da água através das comportas. Estes fluxos de água determinam o posicionamento das aves em relação às margens e, por conseguinte, a sua observação.
A vegetação, apesar de não ser abundante devido ao sal, é interessante. A existência de esteiros cria formas que mais parecem pequenos jardins contracenando com extensas paisagens que contam com os centros urbanos como pano de fundo. O elemento água é uma constante que condiciona a perspetiva que temos do espaço em função das marés ou da época do ano. Esta realidade conjugada com as diferentes migrações de aves faz das Salinas do Samouco um local de visita periódica.

Gramata-branca

Salgadeira Artiplex halimus

Sarcocornia perenne

Flora
A grande especificidade dos biótopos dominantes no complexo de salinas do Samouco, formações dunares em fixação e zonas salinizadas, conferem uma reduzida diversidade florística ao local, sendo observadas pouco mais de 21 espécies.
Tanto o cordão dunar como os taludes das valas e os cômoros das salinas, evidenciam uma maior abundância relativa de Sarcocórnias, Salicórnia, Gramata-branca (Halimione portulacoides), Salgadeira (Artiplex halimus) e Barrilha, espécies que demonstram estruturas adaptativas à elevada salinidade e humidade edáfica, e Estorno, espécie característica de situações psamófilas, endémica do nosso país.

Contactos
Fundação para a Proteção e Gestão Ambiental das Salinas do Samouco
Palácio dos Pinheirinhos, Complexo das Salinas do Samouco 2890-157 Alcochete
Coordenadas GPS: 38°44’39.41″N 8°58’50.80″O
E-mail: contacto@salinasdosamouco.pt / http://www.salinasdosamouco.pt/
Telefone: 212348070 – de Segunda-feira a Sexta-feira (exceto feriados) das 08:00 às 17:00 horas
Telemóvel: 927984440

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