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Chicória: Cor-de-Céu!

[img]https://www.portaldojardim.com/artigos/plantas_saberes/chicoria170408/abertura.jpg[/img] 

Fotos: Fernanda Botelho
Foto de abertura: Portal do Jardim

[b]História[/b]

A chicória ([i]Cichorium intybus L.[/i]) era já conhecida dos egípcios no ano 4000 a.C. e por eles utilizada para combater problemas de fígado, usavam-na também em saladas; no tempo dos faraós, bebia-se um sumo de chicória misturado com óleo de rosas e vinagre para combater as dores de cabeça; ou misturada com o vinho para combater doenças de fígado e bexiga.

Era conhecida de Dioscórides e de Plínio. A partir do séc. XVII começou a ser cultivada nas hortas, surgindo algumas variedades menos amargas como as escalotas, endívias, etc., que por serem menos amargas, são também menos eficazes como tónico do fígado.

[img]https://www.portaldojardim.com/artigos/plantas_saberes/chicoria170408/thumbs/01.jpg[/img]
 

[b]Habitat[/b]

Existe em quase todas as zonas de clima temperado e mediterrânico, Europa, norte de África e Ásia ocidental. Cresce nas bermas dos caminhos, campos cultivados e incultos, prefere terrenos calcários e ricos em húmus.

[b]Características[/b]

A chicória é da família das compostas, vivaz de caule rígido podendo atingir 1,5m de altura, as flores de um azul vivo formam-se em grandes capítulos, existindo também uma variedade mais rara de cor branca. Ambas segregam um látex branco de sabor muito amargo. As folhas comestíveis devem ser colhidas entre Junho e Setembro, sempre antes da floração para que não sejam tão amargas. Partes utilizadas: raiz, folhas e flores.

[b]Constituintes[/b]

A raiz é muito rica em inulina, açúcares (fructose) e um princípio amargo, taninos, pictina, e uma pequena quantidade de alcalóides. As folhas possuem também inulina e açúcares, prótidos e muitos sais minerais, entre eles o potássio, ferro, etc. Vitamina B, C, P e K, aminoácidos, heterócido amargo. As flores possuem cicoridina em forma de glicóside de sabor muito amargo.

[b]Propriedades[/b]

As raiz da chicória é parte que mais actua sobre o fígado, ralada e torrada é um bom substituto do café; em decocção pode tomar-se uma chávena três ou quatro vezes ao dia entre refeições para estimular o fluxo da bílis e melhorar o funcionamento do fígado; é também muito útil no combate às pedras da vesícula. As folhas têm propriedades muito diuréticas, ajudando assim a expelir o ácido úrico do organismo, sendo portanto útil no
tratamento do reumatismo, arterite, gota, etc. Por ser rica em beta-caroteno, ajuda a prevenir alguns tipos de cancro. Toda a planta é um tónico do fígado e do aparelho digestivo, ajuda a limpar o aparelho urinário e é um laxante suave muito adequado para crianças. É também utilizado para curar certas anemias, icterícia.

[b]Utilização[/b]

As folhas consumidas cruas em saladas são mais saborosas e tenras quando jovens; as mais velhas podem ser cozinhas como os espinafres. A raiz jovem, cozinhada é utilizada como o nabo. Uma solução feita a partir das flores pode ser utilizada para aliviar dores nos olhos, vista cansada e inflamada.

Fervendo as folhas e flores obtém-se um líquido que aplicado em compressas de pano duas a três vezes ao dia constitui um remédio eficaz contra inflamações e cólicas do estômago.

[b]Curiosidades[/b]

Na Europa pré-industrial era costume as mulheres deitarem-se sobre a variedade de flor branca, mais rara, na altura do parto, e utilizavam o seu suco leitoso e amargo para tratar os mamilos durante o período de aleitação.

Uma infusão de flores e folhas aplicadas no rosto durante a noite, elimina manchas na pele e os efeitos nocivos da exposição ao Sol.

As folhas podem ser utilizadas na tinturaria extraindo-se delas a cor azul.

As flores da chicória são o espelho do céu, por isso se diz que contemplando o azul das suas flores, o olhar se acalma e o espírito se eleva.

FERNANDA BOTELHO nasceu em Tojeira/Sintra em agosto de 1959.
Aos 18 anos viaja para Londres onde estuda antroposofia e plantas medicinais e pedagogia Montessori.
Fez o curso de guia de jardim botânico com a Alexandra Escudeiros e gostou tanto que repetiu no ano seguinte.
Apaixonada por jardins botânicos, é frequentadora assídua de Kew gardens. Absorve o que vê, fotografando e escrevendo.
Publica anualmente desde 2010 agendas de plantas medicinais, três livros infantis “Salada de flores” “Sementes à solta” e “Hortas aromáticas”. “As plantas e a saúde, guia de remédios caseiros”. É colaboradora do programa Eco-escolas desenvolvendo projetos de plantas medicinais e hortas sustentáveis nos espaços escolares com professores e alunos.
É convidada regular da RTP 1, organiza passeios botânicos e dá workshops sobre plantas medicinais.
Blogue Malva Silvestre.

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2 Comments

  1. vaneide Maria Gomes de souza 6 de Dezembro de 2013

    Adorei . A matéria é bem completa e objetiva.Senti falta do valor calorico e da imagem pois nunca vi uma chicoria só ouvi falar de seus beneficios .Aqui no nordeste não temos muito habito de consumir chicoria e sim alface.

    Responder
  2. José Malhão 12 de Julho de 2016

    Bom artigo! Tanta propriedade numa só planta que dá uma flor muito bonita e que presentemente me chamou atenção pela quantidade que se vê na berma da estrada por onde passo a caminho do trabalho. Por isso pensei tirar umas fotos para postar no FB, qual não é o meu espanto, quando regressei a casa ao fim do dia, da tarde, de trabalho, para as fotografar, não vi o mesmo espetáculo da manhã!?!? não consegui ver nem uma flor ao passar de carro!?!? Tive curiosidade em tentar perceber, mas sinceramente, ainda não parei para poder perceber o que acontece!? As flores só despontam de de manhã?!?!? Até que altura!?

    Responder

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