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10 anos: Jardins Garcia de Orta com Nota Máxima!

[url=https://www.portaldojardim.com/artigos/noticias230508/abertura.jpg][img align=right]https://www.portaldojardim.com/artigos/noticias230508/thumbs/abertura.jpg[/img][/url]O desempenho da maioria das árvores nos Jardins Garcia de Orta, no Parque das Nações, merece nota máxima, ao contrário da manutenção que é “péssima”e de algum vandalismo dos visitantes, segundo a avaliação da coordenadora do projecto.
Dez anos depois da Expo-98, a arquitecta Cristina Castel-Branco ainda se surpreende com a magia daqueles jardins que são hoje a prova de que Lisboa pode ser plantada com espécies de lugares longínquos, como Goa, São Tomé e Príncipe ou Macau e outras de épocas ainda mais distantes, como a jurássica ginkgo biloba.

Naquele espaço frente ao rio foram plantadas 4.000 plantas de 400 espécies, divididas em seis talhões que contam o encontro de culturas ocidentais e orientais.

Hoje, uma década depois, a manutenção deixa muito a desejar, apesar dos jardins serem uma aposta “sem dúvida ganha”, de acordo com a sua coordenadora.

A arquitecta paisagista congratulou-se com o desempenho de algumas árvores, cujo sucesso era “pouco provável”, mas que é hoje uma realidade.
No talhão dedicado ao deserto de Moçâmedes, em Angola, o objectivo de representar o deserto num espaço público foi alcançado. “Os cactos estão muito bem e eram difíceis” e “as palmeiras crescem fantasticamente”, disse Cristina Castel-Branco.
Cabo Verde esteve representado com plantas como feijão-pedra, cana de açúcar, o aloé, a purgueira e o índigo. E foi neste talhão que Cristina Castel-Branco teve o primeiro “grande desgosto”, quando a moda do aloé vera levou os visitantes a roubarem todos os cactos ali plantados. Hoje, são os malmequeres que preenchem o seu espaço.
Do feijão também só ficou a memória, bem como do chá dos Açores. Ao passear-se pelos jardins, Cristina Castel-Branco chama a atenção para o “jardim zoológico de espécies únicas” que ali é oferecido ao público.

Mas dez anos depois, é visível a necessidade da implementação de um plano de recuperação que adapte as plantas ao seu crescimento. A falta de conhecimento tem levado a erros, como a plantação de louro no lugar do chá dos Açores, bem por baixo da sumptuosa sombra de uma aleurites que cresceu “muito bem”.

O louro não gosta de sombra e, por isso, está a morrer, uma morte anunciada pelos visitantes que “roubam” as folhas que conseguem tirar.
Aposta ganha foi a conjugação de várias espécies, como a parelha vinha-jasmim que neste talhão continua a embelezar, aromatizar e a dar uma sombra apreciada pelos visitantes.

No terceiro talhão, dedicado ao Brasil e São Tomé e Príncipe, as flores roxas do jacarandá – que davam as boas vindas aos visitantes – foram substituídas por flores que não estavam previstas e que estão balizadas por um caniço “horrível”.
Neste espaço também já não se encontram as orquídeas, por cima das quais desciam nuvens de água, accionadas por um sistema que agora está inactivo, apesar de ter tido um “significativo investimento”.

O talhão de Goa ainda acolhe uma mangueira, da qual nasceu uma manga entregue ao comissário Cardoso e Cunha. O simbolismo aumenta perante a estrondosa beleza da “Ficus Religiosa”, a árvore debaixo da qual o Buda se sentava a meditar.
Menos sucesso tiveram as portuguesas laranjeiras que, devido a um problema de drenagem, não resistiram, embora durassem o tempo da exposição.
Firme e de um encarnado exuberante mantém-se a primeira árvore a florir neste jardim: a erythrina variegata.

Os bambus revelaram-se uma boa aposta no talhão da China, onde a arquitecta Cristina Castel-Branco se passeou e encantou com os caminhos que os visitantes abriram por entre as canas.

“É sempre com grande expectativa que vemos como as pessoas vivem os jardins”, disse.

No talhão da China é tempo de restauro dos lagos onde os arrozais deram arroz logo em Setembro, quando acabou a Expo-98.

Sem remédio ficou o talhão de Timor-Leste que foi acrescentado aos restantes por pedido da resistência timorense, solicitação acatada com agrado pelos autores do projecto.

Timor esteve ali representado pela árvore do sândalo e um tipo de eucalipto (eucalyptus urophylla), além das casuarinas. Hoje, o talhão de Timor é um relvado que serve de acesso a um parque de estacionamento. Uma mudança “lamentável”, na opinião de Cristina Castel-Branco.

Apesar de alguns aspectos negativos, os Jardins Garcia de Orta não envergonham o nome do médico e naturalista. Desde que as primeiras plantas chegaram, em 1996, milhares de outras foram plantadas. A maioria com sucesso, o que se deveu a ter sido ouvida e respeitada a opinião de quem, de facto, conhecia as espécies.

Mas o “truque” mais sábio foi o de, antes de se iniciar a plantação, as centenas de espécies terem estado de “quarentena” no antigo Jardim do Ultramar, em Lisboa.

Fonte: Agência Lusa

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