Sobre o autor

O Autor

FERNANDA BOTELHO é especialista em plantas aromáticas e medicinais, tendo frequentado vários cursos de plantas medicinais em Londres onde também trabalhou nessa área. Estudou na SSHM (Scottish School of Herbal Medicine). Tem vindo a desenvolver acções de formação para professores e alunos sobre plantas medicinais em escolas e nos encontros nacionais de Eco-Escolas. Desenvolveu ateliers de plantas medicinais nos jardins de Monserrate, Parque da Pena e Capuchos, Sintra, onde instalou jardins de plantas medicinais. Colabora há três anos com artigos mensais na revista Jardins. Actualmente participa em projectos de educação ambiental com a Naturanima.

Conheça as Malvas, suas Aliadas

Categorias: Aromáticas & Medicinais, Featured

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História

Nativa da Europa e Ásia ocidental.

Desde o século VIII a.C. que as malvas eram conhecidas e utilizadas tanto na culinária como para fins terapêuticos. Era já conhecida dos gregos e romanos que muito a apreciavam, sobretudo os romanos para curar as resacas depois das orgias. Alguns médicos gregos recomendavam-na para aliviar e curar picadas de insectos.

Carlos Magno utilizava-a como planta ornamental dos jardins imperiais, para os pitagóricos era considerada planta sagrada pois libertava o espírito da escravatura das paixões. Plínio (grande historiador e investigador romano que morreu queimado na explosão do Vesúvio) recomendava uma poção à base de suco de malva o que evitaria indisposições durante todo o dia. Na Idade Média, tanto a alteia como a malva eram plantadas nos jardins dos mosteiros e utilizada pelos monges para fins terapêuticos.

Na medicina tradicional chinesa utilizam as sementes de malvas.

Habitat

A malva (malva sylvestris) também conhecida como malva-maior ou malva selvagem é considerada uma planta daninha e invasora mas na realidade podemos utilizá-la como bonita planta de jardim, em Portugal cresce um pouco por todo o lado desde o Minho ao Algarve, em caminhos, terrenos baldios, lixeiras etc.

É uma planta vivaz da família das malvaceas, apresenta flores bilobadas de cinco pétalas de cor rosa forte ou lilás com veios mais escuros nas pétalas e grande raíz aprumada. A malva pode por vezes confundir-se com uma sua parente chegada a alteia (althaea officinalis) ou malvaísco que apresenta características e propriedades terapêuticas muito semelhantes sendo talvez a alteia mais rica em mucilagem e daí mais eficaz nalguns tratamentos das vias respiratórias.

Utilizam-se as folhas, flores, raízes, rebentos e sementes.

Composição

As malvas são extremamente ricas em mucilagem especialmente na raíz, o que lhe confere grande parte dos seus méritos terapêuticos, contém ainda antocianinas, óleos essenciais, alguns taninos, flavonóides e glicósidos.

Propriedades

Desde a antiguidade muito utilizada para tratar problemas do foro digestivo, em caso de inflamação e irritação, em úlceras gástricas e do duodeno, gastrite, colite, catarros, faringite, laringite, bronquites, tosse, com forte acção expectorante e emoliente.

É ainda útil no tratamento de infecções urinárias e ginecológicas em forma de lavagens.

Em cataplasmas pode utilizar-se para extrair furúnculos, abcessos, estilhaços ou outras impurezas e inflamações da pele .

Em clisteres para limpeza dos intestinos, revestindo-os ao mesmo tempo de uma camada de mucilagem.

Quando tomada em forma de tissana tem uma acção suavemente laxativa.

A variedade alteia é muito utilizada no fabrico de xaropes e rebuçados contra a tosse e também no fabrico de (marshmallows) uma espécie de gomas brancas ou cor-de-rosa muito apreciada pelos ingleses e que se fabricava a partir de um pó obtido da raíz da alteia.

Sempre que seja necessário um efeito calmante do aparelho digestivo, urinário ou respiratório as malvas ou a alteia são sempre um bom remédio de acção suavizante (demulciente).

Em forma de gargarejos é muito útil para tratar inflamações da boca e gengivas.

Depois de uma longa caminhada, uma tissana de malvas ajuda a compensar os efeitos de desidratação.

Culinária

As folhas das malvas podem ser utilizadas e cozinhadas como o espinafre, as acelgas ou as couves, em sopas e saladas, muito nutritivas para mulheres em fase de amamentação pois estimulam a produção do leite, alimentam e podem ainda ser usadas em compressas para tratar mamilos gretados.

O chá de folhas de malvas é agradável e refrescante tal como o chá das suas flores que poderá preparar na época da floração ou seja Primavera e Verão  e constítuem um agradável refresco, as flores comestíveis podem ainda ser utilizadas na decoração de vários pratos, as raízes cozidas e depois fritas com alho ou cebola são um bom acompanhamento de arroz, carne ou peixe, as sementes possuem um delicado sabor a nozes.

Cosmética

Creme para extrair borbulhas:

Juntar raíz de malvas ou alteia em pó a qualquer creme de pele neutro, misture bem e aplique sobre a pele.

Jardim

Caso queira plantar malvas no seu jardim e tirar delas o melhor partido então escolha um local em pleno sol e um terreno arenoso e bem drenado.

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