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A estação dos ninhos

Fotografia:  Aves do nosso jardim

Ah! A Primavera! O sol começa a aquecer, os jardins a florescer e as aves andam atarefadas a preparar-se para a reprodução. Começa tudo muito timidamente: primeiro a escolha do território e depois a seleção do parceiro. Tudo tem que ficar a postos para dar início à construção do melhor ninho que irá acolher as suas crias. Como se percebe, é uma época muito exigente para as aves, que têm que se alimentar, proteger o ninho, mantê-lo quente e garantir a sobrevivência da geração seguinte.

Rabirruivo (Phoenicurus ochrurus) aproveitando uma cavidade disponível para fazer ninho em ambiente urbano.

Por esta altura do ano, muitos de nós com certeza já nos apercebemos que as aves andam mais discretas pois a grande maioria (especialmente as aves residentes e migradoras precoces) já tem as suas posturas feitas ou crias nascidas. Outras até já vão para a sua segunda postura!

Cada espécie de ave tem preferências diferentes para a localização dos seus ninhos. Por exemplo, as andorinhas das chaminés (Hirundo rustica) preferem infraestruturas urbanas como os beirais das casas ou buracos das paredes. Já os rabirruivos (Phoenicurus ochrurus) escolhem cavidades nas rochas ou pilhas de pedras. Os pintassilgos e os chapins-azuis (Carduelis carduelis e Parus caeruleus) apreciam árvores e, enquanto os primeiros constroem ninhos nos ramos, os segundos preferem cavidades nos troncos (daí que aceitem ocupar facilmente caixas-ninho). As toutinegras-de barrete-preto e os melros (Sylvia atricapila e Turdus merula) preferem arbustos, construindo o ninho em forma de taça na folhagem densa.

Existem também espécies que utilizam estratégias mais elaboradas durante a reprodução, como os cucos que põem os ovos em ninhos alheios; ou as carriças que fazem ninhos em forma de bola com uma entrada falsa para eludir predadores. As espécies de aves que habitam junto das nossas casas e que visitam os jardins têm uma boa capacidade de adaptação e improvisação, basta que seja proporcionado algum sossego durante o período reprodutor e, neste sentido, o mais simples dos jardins pode constituir um oásis para as aves.

Rabirruivo macho (Phoenicurus ochrurus)

Claro, também as aves dão algo em retorno, pois a alimentação das crias é feita especialmente à base de larvas e insetos, funcionando por vezes como um controlo de pragas. Exemplos importantes disto são os chapins azuis que nos pinhais são importantes predadores da lagartaprocessionária (Thaumetopoea pityocampa); os melros que em ambiente rural se alimentam da lagarta-da-couve (Pieris brassicae) ou as andorinhas (Hirundo rustica e Delichon urbicum) que se alimentam de mosquitos, pelo que apesar do inconveniente de ter andorinhas a sujar parapeitos, cada casa pode beneficiar com a sua presença.

Contudo, apesar da Primavera ser uma época de abundância de alimento para as aves, o mais importante de tudo é a compreensão de que esta é uma fase exigente em termos energéticos, e que sobretudo é passageira. É, por isso, aconselhável evitar perturbar as aves. Se desejado, podemos fornecer-lhes alimento extra adequado, tais como lagartas da farinha secas (Tenebrio molitor) ou disponibilizar sementes apropriadas à espécie, por exemplo, os verdilhões (Carduelis chloris) apreciam muito sementes de girassol.

A equipa Aves do nosso jardim é constituída por dois casais, um vive no campo, outro na cidade. Qualquer semelhança com estórias infantis é pura coincidência. Para além da felicidade a que aspira toda a raça humana, sonham com um mundo em perfeito equilíbrio entre o homem e a natureza. Ou, na realidade das coisas, em pequenos gestos do quotidiano, tentam criar uma empatia entre as suas casas e as aves que, na maior parte das vezes, andam por aí.
O objectivo da equipa é partilhar ensinamentos através das experiências adquiridas nas formações de cada um dos seus elementos em biologia, ornitologia, jornalismo e sonoplastia.
Site: Aves do nosso jardim

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