A CARREGAR

Type to search

Não subestime a Salsa!

Introdução

Com a chegada do Verão e a vontade voltada para o exterior, para as refeições no jardim, para as saladas, para as sopas e para as ervas aromáticas que adornam e embelezam qualquer prato. Muitas vezes subestimamos o valor dos ornamentos verdes e não os ingerimos e ficam abandonados na berma do prato quando são quase sempre alimentos de alto valor nutritivo como é o caso da salsa.

História

A salsa é sem dúvida uma das ervas aromáticas mais utilizadas no Mundo. Os antigos egípcios e os gregos chamavam à salsa aipo da montanha e usavam-na para tratar dores no estômago e problemas de bexiga. Os gregos utilizavam-na contra a epilepsia e como regulador do sistema nervoso; para estes simbolizava a festa e a alegria partilhada e costumavam coroar os vencedores das corridas com uma coroa de salsa. Plínio, o Velho, no séc. I -grande conhecedor de plantas- já atribuía à salsa poderes curativos e aconselhava a colocar alguns rebentos nos lagos dos peixes para os curar. Kunzle (1857-1945), um abade suiço grande conhecedor da flora alpina, recomendava a salsa contra o sangue na urina, micções dolorosas e inflamação da próstata. O herbário galês do séc. XII menciona a salsa como geradora de sangue.

Habitat

A salsa é originária do sul da Europa mas é hoje cultivada um pouco por todo o mundo. Prefere climas temperados onde também cresce espontaneamente. A variedade mais comum (Petroselinum crispum) tem folhas muito frisadas e é a favorita dos ingleses. A de folha achatada (Petroselinum sativum ou Apinum petroselinum ou Petroselinum hortense), mais comum entre nós, e preferida na gastronomia da Europa e da Índia, é mais resistente, tem um sabor mais forte e contém mais propriedades medicinais. Utilizam-se as folhas, as raízes e sementes, apesar destas últimas não serem recomendadas para uso interno. Cresce em terrenos incultos, nas frestas de rochas e muros. É uma planta vivaz, de caule erecto, e folhas compostas de um verde intenso, lisas ou frisadas, da família das umbelíferas, atinge entre 30 a 60 centímetros de altura.

Composição

Contém óleo essencial, cânfora-de-salsa (apiol), miristicina, flavonóides, pectina, muita clorofila, taninos, matéria corante amarela, vitamina A, B, C e E, ácido fólico, ferro, cobre, cálcio e fósforo. A raiz contém ainda amido e mucilagem.

Propriedades

É um forte diurético, muito útil no tratamento de retenção de líquidos, reumatismo, gota, infecções da bexiga e cálculos renais, é reguladora do período menstrual e alivia os espasmos. Estimula a produção de leite materno, e tonifica os músculos do útero. É um tónico geral, aliviando a depressão e o cansaço na menopausa. É um tónico digestivo, aliviando flatulência e cólicas. É um refrescante do hálito muito útil depois de ingerir alho. Para as cólicas das crianças, faz-se um leve infusão das folhas que se lhes dá a beber duas ou três colheres depois das refeições. O chá da salsa pode ser usado em lavagens e compressas para picadas de insectos, inchaços dolorosos, olhos irritados e eczema. As raízes são sudoríferas. Há ainda quem a considere afrodisíaca.

Precauções

Devido ao componente apiol, que é um estimulante das contracções uterinas, a salsa está contra-indicada na gravidez. Não se deve colher no campo pois é muito semelhante à cicuta menor que é bastante tóxica e tem flores brancas e odor fétido.

Na horta

A salsa misturada com sementes de cenoura ajuda a repelir a mosca desta última devido ao seu aroma. Protege as roseiras do escaravelho. Quando plantada com o tomate ou com os espargos, revigora-os. Uma forma de combater a borboleta negra (cauda de andorinha) é soltar as aves da capoeira nos canteiros da salsa. As galinhas adoram as larvas desta borboleta. Alguma variedades da salsa são cultivadas apenas para aproveitar as raízes carnudas que se podem comer da mesma forma que os nabos.

Culinária

Pudim de salsa e “bacon” – 500gr de farinha; 4 colheres de chá de fermento em pó; uma colher de chá de sal; um ovo; uma chávena de leite; duas colheres de sopa de margarina; duas colheres de sopa de salsa picada; três fatias de bacon finamente picado; leite para pincelar. Bata o ovo, junte-lhe o leite e depois a farinha peneirada, o sal e a margarina derretida. Acrescente a salsa e o bacon e amasse bem. Molde dois pães pequenos ou um grande, coloque-os num tabuleiro untado, pincele-os com leite e leve ao forno a 215ºC durante cerca de 30 minutos.

FERNANDA BOTELHO nasceu em Tojeira/Sintra em agosto de 1959.
Aos 18 anos viaja para Londres onde estuda antroposofia e plantas medicinais e pedagogia Montessori.
Fez o curso de guia de jardim botânico com a Alexandra Escudeiros e gostou tanto que repetiu no ano seguinte.
Apaixonada por jardins botânicos, é frequentadora assídua de Kew gardens. Absorve o que vê, fotografando e escrevendo.
Publica anualmente desde 2010 agendas de plantas medicinais, três livros infantis “Salada de flores” “Sementes à solta” e “Hortas aromáticas”. “As plantas e a saúde, guia de remédios caseiros”. É colaboradora do programa Eco-escolas desenvolvendo projetos de plantas medicinais e hortas sustentáveis nos espaços escolares com professores e alunos.
É convidada regular da RTP 1, organiza passeios botânicos e dá workshops sobre plantas medicinais.
Blogue Malva Silvestre.

Tags:

2 Comments

  1. BENEDITO DA SILVA RAMOS 13 de Janeiro de 2012

    Ótimo.Aprendi bem mais.

    Responder
  2. J Cicero 5 de Março de 2016

    Muito bom, bem esclarecido a utilidade da salsa.

    Responder

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Ir para o topo