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Os Meus Jardins: Jardim do Campo Grande

O Jardim do Campo Grande, recentemente rebatizado de Jardim Mário Soares, é o maior jardim do centro de Lisboa, ocupando uma área de 11,1 hectares, atingindo 1 200m de comprimento por 200m de largura. O jardim está dividido em 2 zonas, pela Av. do Brasil: a zona Norte com 6ha e a zona Sul com 5ha.

Fotografia: Vasco de Melo Gonçalves

Este espaço com uma história antiga e com diversas e profundas intervenções (em ambas as zonas do jardim) faz-me lembrar os espaços verdes de Barcelona na sua integração com a cidade, a livre circulação e os diferentes equipamentos que alberga.
É um espaço que se desenvolve numa zona da cidade com grande pressão de tráfico e com um nível de ruído elevado. Mas a sua beleza e as suas funcionalidades conseguem amenizar estes impactos.

Em 2013, foi reaberta a zona norte após obras de requalificação. A Câmara Municipal de Lisboa é a responsável pela gestão deste espaço verde e, na altura, referiu que “… A intervenção teve como objetivo recuperar o jardim, que constitui uma ampla estrutura verde, dando-lhe maior visibilidade e profundidade, onde predominam os relvados e os prados. Toda a estrutura verde arbórea foi mantida e recuperada, e plantados novos espécimes. Na área central, de espaço livre, foi evitada a presença de arbustos, procurando a clareira, vetor fundamental para aumentar a capacidade de carga e a segurança. A iluminação pública foi também renovada, tornando o jardim mais iluminado durante o período noturno
O lago, elemento central do jardim, foi impermeabilizado e remodelado de modo a potenciar a sua relação com o edifício do Caleidoscópio, nomeadamente na incorporação de uma superfície de estada. Contempla agora um novo sistema de tratamento simplificado e sinergético com a rede de rega, utilizando o recurso hídrico subterrâneo. Por outro lado, e de forma a contribuir para o aumento da eficiência hídrica do Jardim o sistema de drenagem foi concebido de modo a otimizar os usos da água das chuvas.
De forma a minimizar o impacto negativo da circulação rodoviária ao redor do jardim, foi privilegiada a instalação de uma orla arbustiva densa associada à modelação do terreno”.

A zona sul também sofreu uma intervenção que foi concluída já em 2018 e que assentou “…num pressuposto para o (re)desenho do Jardim, com a simplificação e sistematização da estrutura construída e da estrutura vegetal, a hierarquização da circulação pedonal , o reforço da interioridade espacial de todo o jardim através do reforço da iluminação natural e ampliação das áreas verdes, melhoria do isolamento sonoro e visual”.
No jardim podemos encontrar os mais diversos exemplares botânicos, alguns bastante raros, como palmeiras das Canárias, pinheiros, eucaliptos, acácias, amoreiras de papel, figueiras, pimenteiras, tílias, incenso, jacarandá, grevídea, bordo e castanheira da índia vermelho, etc. Também muitas espécies de aves nidificam e podem ser observadas, nomeadamente os pintassilgos, os pardais, os chamarizes, as toutinegras carrasqueiras e os maçaricos das rochas.

Edifício do Caleidoscópio, um marco
O edifício de 2 700m² foi projetado em 1971 pelo arquiteto Nuno San Payo e integra um painel cerâmica em relevo de autoria da ceramista Maria Emília Silva Araújo. O projeto de reabilitação do Edifício do Caleidoscópio foi da autoria do Arquiteto Pedro Lagrifa Oliveira, tendo-lhe sido atribuída uma Menção Honrosa do Prémio Valmor no ano da sua inauguração, em 2016.

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