Labaças ou catacuzes.
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Sábado, 10 de Julho de 2010
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Para desintoxicar o organismo
As labaças ( Rumex crispus L.) pertencem á família das Poligonáceas, existem mais de 200 espécies do género Rumex, Rumex, Rumex obtusifolius, de folha mais larga, Rumex acetosa também conhecida por erva azeda ou espinafre limão, ou sorrel em inglês e oseille em francês.
É uma planta vivaz, nativa da Europa e África, cresce espontânea um pouco por todo o lado, em lameiros, terrenos incultos, beiras de caminhos, searas, tornando-se muitas vezes invasora e difícil de erradicar devido às suas raízes profundas
Pode atingir 1 metro de altura, apresenta caule floral rígido e robusto, folhas alternas com nervuras centrais avermelhadas, raiz espessa, rugosa e amarela ao corte, daí o seu nome inglês ser também yellow dock. Cheiro acre e sabor amargo.
Esta planta silvestre tem tanto interesse fito terapêutico como culinário, para fins terapêuticos utilizam-se tanto as folhas como as raízes e para fins culinários somente as folhas.
A sopa de labaças com grão era um prato comum na dieta dos árabes, mencionada num tratado antigo como calmante para o estômago. No Alentejo é ainda hoje muito comum a sopa de labaças com feijão.
São ainda conhecidas pelo nome de catacuzes, ruibarbo-selvagem ou paciência aquática.
Componentes
Rica em ferro, cálcio, vitamina C, taninos, fósforo, antraquinonas, flavonóides (quercetina) e ácido oxálico.
Propriedades
Segundo a teoria das assinaturas (Paracelso 1493-1541 d.C.) as labaças com pintas vermelhas nas folhas eram utilizadas como depurativo do sangue, as labaças crespas de folhas e raízes amarelas eram utilizadas para tratar problemas hepáticos.
As labaças crescem normalmente junto das urtigas e são um bom antídoto para as picadas das mesmas quando esfregada na pele.
São úteis no tratamento de anemia, desintoxicação do organismo, ligeiramente diurética, prisão de ventre, indigestão, absorção deficiente de vitaminas, fraca tolerância a gorduras, fígado preguiçoso, icterícia ligeira e pele quente com prurido, vários problemas de pele como eczema, psoríase, acne inflamações do aparelho respiratório, gânglios linfáticos cronicamente inchados.
Nos dias quentes pode colocar uma folha de labaça nos sapatos para manter os pés frescos.
Em uso externo as folhas são úteis para tratar picadas de insectos, queimaduras solares e outras, com uma acção refrescante e cicatrizante.
Tinturaria
Das folhas do Rumex acetosa, obtém-se um bonito amarelo limão, verde ou castanho.
Culinária
Para além da conhecida sopa de catacuzes pode também utilizar as folhas do Rumex acetosa ou erva-azeda em saladas, molhos e omeletas, não devendo no entanto usar em excesso devido à alta concentração em ácido oxálico, as pessoas com problemas de ósseos, ou distúrbios renais, devem utilizar apenas doses terapêuticas ou não utilizar.
Sobre o autor
FERNANDA BOTELHO nasceu a 19 de Agosto de 1959 na Tojeira, inspirada pela lua-cheia a brilhar sobre a Serra de Sintra. Da infância no campo guarda cheiros de vindimas, alfazemas, manhãs de orvalho e orégãos…Ruma a Londres onde estudou plantas medicinais, pedagogia Waldorf e Montessori, yoga, e aí viveu 15 anos salpicados por muitas outras viagens, Índia, Indonésia, América do Norte e Sul, Caraíbas, Itália, Grécia etc. Desde 1998 que é membro da Herb Society UK. Escreve em revistas de jardinagem, tem o curso de guia de jardim botânico, tendo orientado visitas às plantas medicinais dos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. Os seus livros infantis"Salada de flores e "Sementes à solta" estão recomendados pelo PNL (Plano nacional de leitura). A sua agenda de plantas medicinais já vai na 4ª edição e a de 2013 é dedicada à importância das sementes.
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Comentado por: ana maria pinto ribeiro em 29 de Novembro de 2010 às 20:09:33
bastante interessante mas não sei se conseguirei identificar a planta .
Comentado por: Maria Lucinda Roque em 14 de Junho de 2011 às 18:30:55
Fico feliz por saber que não sou a única que reconhece algumas propriedades destas plantas assim cá vai mais uma: o chá destas ervas são excelentes para a diarreia limpam e regularizam os intestinos, também é muito bom para purificar o sangue. A senhora do comentário anterior tem dificuldade em identificar a planta, pois dir-lhe-ei que é uma planta inconfundível, aparece normalmente em terrenos frescos e arejados (selvagens).
Comentado por: Susana Caldeira em 8 de Agosto de 2011 às 16:44:41
Falta referir um dos componentes e propriedades mais importantes: o resveratrol, a raiz desta planta é 100 vezes mais rica em resveratrol que o vinho, um poderoso composto anti-envelhecimento e anti-cancro, em vez dos 2 copinhos de vinho tinto ao dia recomendados mais valia duas a tres saladinhas ou chas desta planta e sempre evitariamos a recomendação ao alcool, que agora serve de desculpa.
Comentado por: Manuela Lacerda em 26 de Abril de 2012 às 20:42:12
Para aproveitar as vantagens das raizes como as devo consumir?Tenho tentado conhecer plantas comestiveis e alternativas, mas só com o contacto das pessoas mais velhas. Lá me vou safando.
Comentado por: Fernanda em 20 de Abril de 2013 às 14:13:01
Obrigada pelos esclarecimentos. Pois tenho a quinta quase infestada de labaças e de soagem (echium plantagineum). Alguém sabe se a soagem tem alguma utilidade? Pois disseram-me que os italianos comiam as folhas tenras.
Comentado por: Maria Isaura Frostne em 30 de Maio de 2013 às 14:56:14
Obrigada pela descricão da planta. Parece-me que há aqui na Suécia. Se houver vou Fazer a sopa de catacuzes